Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Diálogo entre chavismo e oposição avançou, diz Noruega

Em Oslo, representantes de Maduro e Guaidó se reúnem em busca de uma ‘solução constitucional’ para a crise na Venezuela 

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 21h52

OSLO - Representantes do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e do autoproclamado presidente interino do país, Juan Guaidó, querem avançar rumo a “uma solução negociada para a crise na Venezuela”, afirmou nesta quarta-feira, 29, o governo da Noruega. As delegações dos dois grupos estão em Oslo para conversas mediadas pelos noruegueses.

“As partes mostraram disposição de avançar na busca de uma solução acordada e constitucional para o país, que inclui temas políticos, econômicos e eleitorais”, indicou a chancelaria norueguesa, em comunicado.

O governo da Noruega pediu aos dois lados que evitem posições que comprometam o avanço das conversas. “Para preservar o processo, solicita-se às partes tomar a máxima precaução, tanto em comentários como em declarações.”

A mediação norueguesa é criticada pelos opositores do chavismo, que acreditam não haver espaço para conversas com Maduro. No início, o próprio Guaidó afirmou que todo diálogo deve desembocar na saída do presidente e na convocação de novas eleições. 

“A negociação é aquela que nos leve ao fim da usurpação, transição e eleições livres”, escreveu Guaidó, no Twitter. Ao mesmo tempo, ele pediu a seus aliados que aceitassem o encontro com os enviados de Maduro. “Não sejam cúmplices da ditadura”, afirmou.

Apesar do discurso duro no início, Guaidó baixou o tom e admitiu que enviou representantes para a Noruega. Fontes que participam do diálogo disseram que as conversas começaram na terça-feira.

Nesta quarta-feira, Guaidó afirmou que essa primeira rodada terminou “sem acordo”, mas o diálogo deveria continuar. Agradecemos ao governo da Noruega pelo esforço. Estamos dispostos a continuar com eles”, disse o opositor, em comunicado. 

O diálogo deve durar até sexta-feira, mas a data, segundo informou a agência France Presse, é flexível. Tanto a chancelaria norueguesa quanto chavistas e opositores não comentaram sobre o formato e o conteúdo da negociação. 

Analistas supõem que o principal tema seja uma eleição “livre e justa”, como pede Guaidó. Os EUA disseram que qualquer negociação deve focar “até mesmo” no fim do chavismo. “A única coisa que se pode negociar com Maduro é sua saída”, disse esta semana Morgan Ortagus, porta-voz do Departamento de Estado. 

As negociações na Noruega também ganharam o apoio de Cuba e Rússia. Moscou, inclusive, se ofereceu para participar, caso Maduro e Guaidó desejem. 

Brasil

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, reiterou hoje sua desconfiança com relação à mediação da Noruega. Segundo Araújo, buscar esse tipo de caminho pode ser apenas uma tentativa do regime chavista de ganhar tempo.

“Achamos que o presidente Guaidó é quem tem de saber quais são os caminhos apropriados para conseguir a transição democrática”, afirmou o ministro, após participar de uma audiência pública no Congresso. “Se ele avalia que essa iniciativa pode ser útil, não vamos ser contra. Mas nossa avaliação é a de que os representantes do regime sempre utilizaram isso como táticas protelatórias.”

O chanceler também comentou sobre a decisão de Brasil, Estados Unidos e outros países do Grupo de Lima, menos o México, de abandonar a Conferência de Desarmamento da ONU, depois que a Venezuela assumiu a presidência rotativa do fórum. 

“A ideia é mostrar que, no nosso entendimento, e de tantos outros países, existe um governo ilegítimo na Venezuela e, portanto, os representantes desse regime não têm legitimidade para falar em nome do país”, afirmou Araújo em Brasília. / AFP e REUTERS

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