Diálogo entre grupos rivais recomeça em Honduras

As equipes de negociadores das partes em conflito retomaram, hoje, as conversas por um acordo para encerrar a crise política em Honduras. A grande fonte de divergência ainda é o retorno ao poder do presidente deposto Manuel Zelaya.

AE-AP, Agencia Estado

13 de outubro de 2009 | 14h19

"Tudo que foi acordado até agora não serve de nada se não se restitui o presidente Zelaya na presidência", afirmou minutos antes de entrar na reunião Juan Barahona, líder sindical e indicado de Zelaya para a comissão negociadora. "Na sexta-feira não percebi vontade de (o outro grupo) ceder nesse ponto."

Armando Aguilar, um dos negociadores do governo de facto, presidido por Roberto Micheletti, disse que "não poderia dizer quanto tempo ainda durará a investigação". "Pode ser uma hora ou seguir até o fim de novembro", avaliou Aguilar. "Se no momento em que comece (a negociação) colocarmos as cartas na mesa e eles a aceitarem está bem, temos solução."

Barahona disse que já há um acordo sobre um futuro "governo de integração", reunindo representantes dos cinco partidos políticos hondurenhos. Além disso, as duas partes desistiriam de buscar uma anistia por supostos delitos cometidos antes e durante o golpe de Estado. Zelaya ainda deve renunciar a suas pretensões de convocar uma Assembleia Constituinte.

Outra representante de Micheletti, Vilma Morales, disse ontem que houve avanço em 60% dos temas pendentes. O ponto de partida do diálogo é o chamado Acordo de San José, apoiado pelo presidente da Costa Rica, o Nobel da Paz Oscar Arias, que tentou mediar a disputa, sem sucesso.

Vilma disse que há acordo para a criação de comissões de verdade e verificação dos compromissos adquiridos e para a busca do imediato restabelecimento das relações de Honduras com a comunidade internacional.

Deposto em 28 de junho, Zelaya retornou ao país em 21 de setembro e desde então está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Ele determinou 15 de outubro como a data limite para o fim das negociações. Apesar disso, não anunciou quais atitudes pretende tomar se o impasse prosseguir.

A chanceler do governo deposto, Patricia Rodas, disse ontem nas Nações Unidas que Zelaya e seus aliados também buscarão desacreditar as eleições que o governo golpista está organizando para novembro, a menos que ele volte ao posto até esta quinta-feira.

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