Diálogo entre palestinos e israelenses continua

Negociadores israelenses e palestinos retomaram as negociações de paz depois de uma interrupção de dois dias devido ao assassinato de dois israelenses na Cisjordânia. Eles anunciaram que houve progressos em uma questão importante e continuaram dialogando apesar da morte de mais um israelense. Os negociadores disseram estar próximos de chegar a um acordo sobre a questão das fronteiras de um futuro Estado palestino. De acordo com funcionários palestinos, que pediram sigilo de suas identidades, as diferenças territoriais foram reduzidas a cerca de um por cento da Cisjordânia. A sessão de negociações foi encerrada pouco depois do anoitecer. Um negociador palestino, sob condição de anonimato, revelou que Israel não fez novas propostas, pois os israelenses pareciam insatisfeitos com as táticas de negociação adotadas pelos palestinos. Mas a violência continuou prejudicando os esforços de paz. Poucas horas após a retomada das discussões, um motorista israelense foi baleado e morto numa emboscada nas proximidades da fronteira entre Jerusalém e Cisjordânia. Os negociadores israelenses deixaram a mesa de negociações e foram a uma sala ao lado, onde receberam instruções do primeiro-ministro Ehud Barak por telefone para continuar com as conversações, informou seu gabinete. Barak denunciou o assassinato como "um crime desprezível" e prometeu que o pistoleiro será detido e punido. A Rádio Israel identificou a vítima como Akiva Pashkos, de 45 anos, natural de Jerusalém. Em um panfleto divulgado na Cisjordânia, uma facção da Fatah, grupo político do líder palestino Yasser Arafat, assumiu a autoria da emboscada. O grupo autodenominou-se Brigada Thabet Thabet, após a morte do líder da Fatah de mesmo nome em 31 de dezembro, num crime classificado pelos palestinos como operação de assassinato israelense. O panfleto informou que o tiroteio foi uma revanche pela morte de Thabet. Desde o início da atual onda de violência, em 28 de setembro de 2000, 375 pessoas morreram, sendo 318 palestinos, 13 árabes-israelenses, 43 judeus israelenses e um médico alemão. Dois dias antes, Barak convocou para consultas os líderes de sua equipe de negociadores depois que dois donos de restaurante israelenses foram raptados e mortos por pistoleiros mascarados na Cisjordânia. Os dois foram sepultados nesta quinta-feira. A retomada das negociações ocorreu pouco depois. As questões mais delicadas eram conduzidas na sala de conferências de um hotel em Taba, localidade egípcia situada nas proximidades da fronteira israelense. O negociador palestino Nabil Shaath disse que os dois lados estavam próximos de um acordo para que Israel mantivesse 4% da Cisjordânia, para abrigar diversos assentamentos judaicos, em troca de uma parcela do território israelense.

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