Diálogo pode ser última ação de Oslo

Cenário: Balazs Koranyi / Reuters

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h42

A iniciativa dos noruegueses, que trouxeram para a mesa de negociações governo e rebeldes colombianos, pode ser a última depois de décadas atuando como mediadores. Pequenos Estados, como Noruega, Holanda, Suécia e Suíça, vêm perdendo influência como mediadores à medida que o mundo se torna mais multipolar e as potências regionais assumem o papel que cabia à diplomacia desses países.

A Noruega, terra do Prêmio Nobel da Paz, passou a ter um importante papel após a Guerra Fria, preenchendo o vazio que surgiu depois do fim da bipolaridade. Com uma população de 5 milhões de pessoas, participou diretamente do primeiro encontro entre israelenses e palestinos, que resultou no Acordo de Oslo, de 1993, o no pacto que pôs fim à guerra civil na Guatemala, em 1996. Esforços de paz em Sri Lanka, Filipinas e Cuba tiveram menos sucesso.

Com Venezuela e Cuba participando desse processo de paz, os EUA também têm um forte interesse. No entanto, um papel direto nas negociações poderia ser prejudicial. Por isso, a Noruega, membro da Otan e aliada de Washington, é uma frente perfeita. "A força da Noruega é que ela pode se permitir ser paciente, calma e sistemática e as partes apreciam isso", disse Jan Egeland, ex-secretário-geral adjunto da ONU. "Elas apreciam também o fato de a Noruega ser um país pequeno, que servirá como mediadora, mas não forçará um acordo."

Países menores têm hoje menos espaço para influir internacionalmente, por isso passaram a utilizar a ajuda internacional como plano B. Suécia, Noruega e Holanda são os maiores doadores internacionais em relação a sua produção econômica. Em 2011, Oslo desembolsou US$ 4,9 bilhões em ajuda externa para mais de 100 países. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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