Migual Gutiérrez/Efe
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Diante de avanço da oposição, Chávez faz apelo ao patriotismo de eleitores

Presidente admite problemas de infraestrutura no país, mas minimiza sua importância

Roberto Lameirinhas, enviado especial a Caracas, O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2012 | 03h02

CARACAS - Embora a maior parte das pesquisas ainda indique uma boa vantagem - entre 10 e 20 pontos porcentuais - do presidente venezuelano, Hugo Chávez, sobre seu rival, Henrique Capriles, para a eleição presidencial de domingo, o tom da campanha chavista mudou nos últimos dias. O líder bolivariano, agora, tem ido além do insulto e convertido o processo eleitoral em uma "guerra pela independência e pela soberania" da Venezuela.

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"Nas últimas declarações, Chávez e seus partidários mais próximos têm até mesmo reconhecido falhas nos 14 anos de governo, mas vêm salientando que o que estará em jogo no domingo não são dois projetos diferentes de país, mas uma escolha entre a manutenção ou não da independência da pátria", disse ao Estado o cientista político Emilio Pérez, da Universidade Central. "É possível que essa mudança de direção seja motivada por algum crescimento da candidatura de Capriles detectada pela campanha chavista."

"Nunca mais a burguesia voltará a governar esse país", discursou Chávez durante um comício em seu Estado natal, Barinas, na segunda-feira. Segundo o presidente, com uma eventual vitória de Capriles "voltariam a governar a grande burguesia, a grande corrupção e o império ianque (como se refere aos EUA)".

No domingo, a estatal Venezolana de Televisión (VTV) havia divulgado o áudio de uma conversa telefônica na qual supostamente um grande empresário e o pai de Capriles discutiam detalhes sobre uma "contribuição" à campanha da oposição.

"Não vou mencionar o nome de ninguém, mas esses grandes empresários que do exterior aportam muito dinheiro nessa campanha (de Capriles) - banqueiros foragidos, as máfias de lavagem de dinheiro e narcotráfico - estão esfregando as mãos porque aqui se montaria um governo burguês. Isso é impossível, mas suponhamos que quem mandaria em Miraflores (sede do governo) seria esse candidato. Ele seria uma marionete e a Venezuela perderia, por essa via, sua independência", discursou Chávez.

Em seu programa diário na VTV, La Hojilla, o apresentador Mario Silva, espécie de porta-voz televisivo do chavismo, chegou a declarar, na segunda-feira à noite, que governo admite "as falhas" de sua administração, como a crise de energia que causa blecautes constantes, os problemas da criminalidade e a situação da saúde pública. "Mas o que estará em jogo no domingo não é se sua luz vai se apagar por duas horinhas, mas a independência da Venezuela", sentenciou Silva.

"A estratégia é de desespero", afirmou ao Estado Julio Paez, integrante da campanha de Capriles na sede do comitê, em Caracas. "Chávez está percebendo que agora corre o risco real de perder o poder e apela para valores cívicos e de soberania que nada têm a ver com a eleição. O que isso quer dizer? Que estaria justificado não entregar a presidência ao ganhador de uma eleição porque isso colocaria em risco a independência do país."

Em sua coluna no diário El Universal, o jornalista Nelson Bocaranda informou ontem que Chávez pediu ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva que interviesse e impedisse que a presidente Dilma Rousseff recebesse, antes da eleição, uma visita de Capriles. Bocaranda, que se tornou conhecido pelas notícias sobre a gravidade do câncer de Chávez, não nomeou suas fontes.

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