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AFP PHOTO / POLICE NATIONALE
AFP PHOTO / POLICE NATIONALE

Diante de juiz, Abdeslam fica em silêncio sobre participação nos ataques de novembro em Paris

Único acusado preso nunca esclareceu a participação que teve nos atentados; presidente Hollande faz discurso sobre o problema do terrorismo no país

O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2016 | 16h24

PARIS - O único acusado de participar dos ataques de 13 denovembro em Paris que foi preso, Salah Abdeslam esteve nesta quinta-feira, 8, diante de um dos juízes instrutores do caso e optou por ficar em silêncio. Ele havia sido convocado para explicar seu papel no massacre, que continua sem esclarecimento.

O advogado de Abdeslam, Franck Berton, explicou que o silêncio "é um direito" do réu. "Não é para hoje", especificou o advogado. "A instrução será longa. O juiz vai estipular certo número de perguntas e estão previstos interrogatórios múltiplos. Esperamos que, antes ou depois, Salah Abdeslam responda às perguntas do juiz" declarou Berton.

Em sua primeira convocação a um tribunal na França, no dia 27 de abril, Abdeslam havia indicado que falaria, porém mais tarde. Em maio, quando o magistrado instrutor começou a questioná-lo a fundo sobre o assunto, Abdeslam novamente se negou a falar. No dia 7 de julho, o acusado se negou inclusive a deixar sua cela na prisão de Fleury Mérogis para ser levado ao tribunal, depois que o juiz solicitou sua presença novamente.

Naquele momento, Berton considerou a atitude uma forma de protesto em razão do regime carcerário ao qual seu cliente está submetido e, em particular, pelo fato de que ele estar sendo gravado de forma permanente por câmeras em sua cela - medida validada pelo Conselho de Estado no final de julho, sob a justifica "do contexto de atentados terroristas na França e pela presunção de que (Abdeslam) conta com apoio de uma organização terrorista internacional". 

Governo. Ainda ontem, o presidente François Hollande fez um discurso sobre o problema do terrorismo no país e abordou a questão do Estado de direito e dos muçulmanos na sociedade. "Por ter conduzido durante mais de quatro anos o combate a um fanatismo assassino, não tenho nenhuma dúvida: venceremos. A democracia será mais forte que a barbárie que a guerra declarou." 

A sensação de uma nova ameaça terrorista se reavivou depois que foram encontrados recentemente botijões de gás em um carro em pleno centro de Paris e temas como a identidade nacional e a imigração centram os debates diante das eleições presidenciais de 2017. 

Dizendo que "a imaginação" da direita e do partido de extrema direita Frente Nacional (FN) "dá guinadas inquietantes" quanto à luta antiterrorista, Hollande reafirmou os princípios da liberdade de culto e de expressão, a presunção de inocência, e descartou a ideia de deter sem julgamento pessoas radicalizadas.

"Nada no ideal do laicismo se opõe à prática do Islã na França, já que a mesma está em conformidade com a lei", afirmou o presidente. "Não haverá uma legislação de circunstâncias, tão inaplicável quanto inconstitucional", acrescentou, fazendo referência, em particular, aos apelos de uma parte da oposição de direita pela promulgação de uma lei sobre o uso do burkini.

A decisão de vários municípios governados pela direita de proibir neste verão (no hemisfério norte) nas praias francesas este traje de banho integral islâmico provocou uma grande polêmica na classe política. "O Islã pode se adaptar ao laicismo como fizeram antes o catolicismo, as religiões reformadas ou o judaísmo? Minha resposta é sim, claramente sim", acrescentou o líder francês. 

Hollande, que desde sua chegada à presidência, em 2012, teve que lidar com a maior onda terrorista na França em mais de meio século, evocou "tentativas de atentados frustrados nos últimos dias". Dois casais, um dos quais pertencente ao movimento islamita, estavam nesta quinta-feira, 8, em prisão preventiva depois que foram encontrados botijões de gás (embora sem dispositivos de detonação) em um carro estacionado no domingo em pleno coração de Paris. Os investigadores antiterroristas também buscam duas jovens detectadas por sua radicalização.

Todas as pesquisas preveem para Hollande uma amarga derrota se ele se apresentar a um novo mandato. Apesar das pressões de alguns de seus partidários para que esclareça rapidamente suas intenções, o presidente mantém seu calendário fixo até dezembro para anunciar uma eventual nova candidatura. /AFP e EFE

 

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