Diante de Panetta, 'Bibi' diz que ameaçar Irã é insuficiente

Em Israel, o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, afirmou que Washington manterá o máximo de pressão sobre o Irã para impedir o país de desenvolver uma arma atômica. Segundo ele, as sanções continuam sendo a melhor alternativa para conter o programa nuclear iraniano. O premiê israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, respondeu que o tempo para uma resolução pacífica para o tema está se esgotando.

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2012 | 03h09

"Essas ações não foram suficientes para convencer Teerã. O regime do Irã acredita que a comunidade internacional não interromperá o programa nuclear iraniano", afirmou.

Panetta assegurou a Israel que os Estados Unidos não permitirão que o Irã desenvolva uma arma nuclear. Adotando um tom duro, o secretário americano sugeriu que uma ação militar é possível, mas desde que todas as outras opções tenham se esgotado.

Segundo Panetta, os Estados Unidos estão aplicando mais e mais pressões contra Teerã, centralizadas em sanções diplomáticas e econômicas. "Acredito que essas medidas estejam surtindo efeito", afirmou Panetta. "Caso as ações não surtam efeito, temos uma série de opções, incluindo militares. Não permitiremos que o Irã tenha uma arma nuclear. Ponto", acrescentou.

O ministro israelense de Defesa, Ehud Barak, também disse que as chances de as sanções surtirem efeito são extremamente baixas.

A declaração de Panetta, que em sua viagem tem assumido o papel de porta-voz do governo Barack Obama para questões de Oriente Médio, foi feita um dia depois de o candidato republicano à presidência, Mitt Romney, visitar Israel, onde declarou que adotará ações mais duras contra o Irã caso seja eleito.

Nesta semana, o Congresso americano e também o Executivo aprovaram mais uma série de sanções unilaterais contra o Irã. O regime iraniano também está isolado internacionalmente, sendo alvo de duras medidas contra o seu setor petrolífero.

De acordo com Cliff Kupchan, da consultoria de risco político Eurasia, há um sentimento na elite iraniana de que os Estados Unidos conseguiram alterar o cenário a seu favor e Teerã não sabe como reagir. "Aparentemente, o governo iraniano deve tentar seguir com a diplomacia até as eleições de novembro nos EUA e buscará diálogo com o futuro presidente americano. Medidas radicais não devem ser tomadas até novembro, quando será realizada a votação."

Os EUA acusam o Irã de querer desenvolver uma bomba atômica, violando o TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear). O regime de Teerã nega as acusações e diz que seu programa nuclear tem fins civis.

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