EFE/Martin Alipaz
EFE/Martin Alipaz

Diante de provável derrota, Evo diz que respeitará resultado de referendo

Segundo balanço do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 80% das urnas apuradas, o "não" tinha 54,3% dos votos e o "sim", 45,7%

O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2016 | 20h12

LA PAZ - Com a manutenção da vantagem do “não” no referendo para ampliar o direito à reeleição do presidente boliviano, Evo Morales, conforme a apuração avançava nesta segunda-feira, 22, o líder indígena voltou a dizer que respeitará o resultado e retornará à sua cidade natal caso não possa mais se eleger. Segundo balanço do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 80% das urnas apuradas, o “não” tinha 54,3% dos votos e o “sim”, 45,7%. 

Ao menos duas pesquisas de contagem rápida divulgadas ainda na noite de domingo indicavam uma vitória apertada do “não”. Levantamento do Instituto Mori constatou uma vantagem de dois pontos porcentuais do “não” sobre o “sim”. O Ipsos verificou que a rejeição à proposta de Evo teria uma vantagem de cerca de quatro pontos porcentuais. 

O governo diz que a tendência é de empate técnico e a contagem de votos de zonas rurais deve reduzir a vantagem do “não” e beneficiar Evo. O diretor do Instituto de Pesquisas Ipsos / Bolívia, Luis Garay, disse ontem que, apesar da contagem próxima da margem de erro, estatisticamente é difícil que o “sim” vença o referendo. 

Calma. Evo, no entanto, defendeu a cautela. “Peço a todos os movimentos sociais que advogam tanto pelo ‘sim’ quanto pelo ‘não’ para esperar com calma e responsabilidade pelos resultados finais”, disse o presidente. “A vida continua. Se o ‘não’ vencer, eu volto para minha fazenda em Chapare. Tenho responsabilidades e seguirei lutando.”

O presidente boliviano atribuiu a vantagem inicial do “não” no referendo constitucional a uma “campanha difamatória” conduzida pela imprensa e pela oposição.

Primeiro indígena a chegar à presidência da Bolívia, Evo deu estabilidade política ao país, liderou um crescimento econômico inédito na história boliviana e levou da pobreza para a classe média milhões de indígenas, graças aos altos preços internacionais de commodities como gás natural, estanho e cobre.

O presidente também investiu em infraestrutura e construiu aeroportos, estradas, um sistema de teleféricos que ligou os bairros pobres de La Paz ao centro da cidade e colocou em órbita, com tecnologia chinesa, o primeiro satélite da história boliviana. 

Mesmo com a queda do preço das commodities, a partir de meados de 2014, Evo conseguiu manter altos níveis de popularidade, em torno de 79%. 

Durante a campanha para o referendo, no entanto, ele foi envolvido em denúncias que o acusavam de favorecer uma ex-namorada, Gabriela Zapata, contratada por uma estatal chinesa com contratos com o governo. A empresa CAMC foi afastada de licitações para obras custeadas por empréstimos chineses. Tanto Gabriela quanto Evo negam irregularidades. 

Na semana que antecedeu a votação, o incêndio de uma prefeitura opositora atribuído a um político do Movimento ao Socialismo (MAS) - o partido do presidente - também prejudicou sua imagem diante de uma parcela da população. / EFE, AP e REUTERS


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