AP Photo/Petros Giannakouris
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Grécia deportou refugiados por engano, denuncia ONU

União Europeia suspendeu temporariamente o envio de pessoas ao território turco até que possa processar mais casos registrados pelos refugiados

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2016 | 08h36

GENEBRA - A ONU denuncia o fato de que a Grécia possa ter deportado estrangeiros por engano, no primeiro dia da entrada em vigor do acordo entre Europa e Turquia, e a União Europeia (UE) anuncia que está suspendendo de forma temporária o envio de pessoas ao lado turco da fronteira, até que possa processar mais casos registrados pelos refugiados.

Nesta terça-feira, 5, o Serviço de Asilo da Grécia anunciou que cerca de 3 mil pessoas aguardavam em campos de deportação nas ilhas gregas uma resposta sobre seus pedidos de asilo. Mas com um caos administrativo e sem funcionários capazes de lidar com a onda de solicitações, o processo foi suspenso. Dos 400 funcionários europeus que deveriam trabalhar no serviço nas ilhas gregas, a UE enviou apenas 30.

Tanto os gregos como os turcos garantem que os envios de pessoas vão continuar normalmente nos próximos dias. 

A interrupção ocorre depois que a ONU alertou que pelo menos 13 dos 202 imigrantes mandados de volta para os portos turcos não tiveram a possibilidade de acompanhar o processo de pedido de asilo. 

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, as autoridades gregas “esqueceram” de processar o pedido de asilo de afegãos e de cidadãos do Congo. O grupo não foi autorizado a se registrar oficialmente em um dos centros de acolhida para iniciar o pedido de asilo.  

Ao anunciar o acordo, no dia 20 de março, as autoridades da UE indicaram que nenhuma pessoa cujo pedido de asilo estava sendo processado seria enviada de volta para a Turquia. Mas todos aqueles que tivessem a solicitação rejeitada seriam deportados. A Europa, em resposta às críticas de entidades de direitos humanos, insistiu que não haveria “retorno automático”. Mas diante de um caos administrativo nas ilhas gregas e da falta de pessoal para processar os mais de 51 mil estrangeiros no país, um grupo acabou sendo embarcado em Chios, de volta para a Turquia.

Autoridades gregas insistem que precisam de mais funcionários para garantir que o trabalho seja realizado, enquanto milhares de refugiados se amontoam em centros de acolhimento sem saber exatamente qual será o seu destino.

Ao Estado, fontes do alto escalão da ONU indicaram que estão “alarmados” com o caos burocrático e o impacto que isso pode ter para dezenas de famílias que não terão sequer a chance de ter seu pedido avaliado. 

No fim de semana, a ONU chegou a apelar para que o acordo fosse suspenso até que garantias fossem dadas de que ninguém seria deportado sem motivos e que, na Turquia, os grupos seriam recebidos de forma adequada. 

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