REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Diante do silêncio do CNE, opositores venezuelanos farão protesto por referendo

Oposição aguarda que poder eleitoral divulgue um cronograma sobre as assinaturas do referendo revogatório contra Maduro. Tensão política e social aumenta no país

O Estado de S. Paulo

09 Junho 2016 | 11h45

CARACAS - Opositores venezuelanos tentarão mais uma vez nesta quinta-feira, 9, marchar até a sede do poder eleitoral para exigir a data de ratificação das assinaturas que permitirão a realização do referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, em meio ao aumento da tensão política e social no país.

Quase 40 dias depois de ter apresentado ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) 1,8 milhão de assinaturas para abrir o processo, a opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) ainda não completou o primeiro passo no processo, e tenta fazê-lo ainda neste ano.

Líderes opositores esperavam que o CNE publicasse na quarta-feira o mapa do caminho do referendo, depois de ter sido anunciado na terça-feira que, das 1,8 milhão de assinaturas, 1,3 milhão são válidas, 6 vezes mais que as 200 mil exigidas por lei para ativar a consulta.

Diante do silêncio eleitoral, a oposição anunciou que nesta quinta-feira seus deputados - que são maioria no Parlamento - se dirigirão cedo ao gabinete do órgão eleitoral para exigir a data de ratificação das assinaturas, um processo que deve ser feito em cinco dias com máquinas de registro de impressão digital.

Paralelamente, uma marcha de estudantes e de outros setores opositores partirá pela manhã da Plaza Venezuela ao CNE, na quarta vez em que tentarão chegar à sede do organismo, já que as manifestações anteriores foram bloqueadas e dissolvidas com gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.

"As senhoras (reitoras) do CNE estão desafiando todo um país que quer paz", advertiu no Twitter o líder opositor Henrique Capriles, que liderou as marchas. O presidente Maduro sustenta que a oposição não se interessa pelo referendo, e que quer causar violência para provocar uma intervenção estrangeira.

Escape. Acusando-o de servir ao governo, a MUD sustenta que o CNE está demorando para lidar com o processo para evitar que o referendo seja feito até 2017, quando são completados quatro anos do mandato presidencial. Se for feito este ano e Maduro perder, serão convocadas eleições. Caso o referendo seja realizado em 2017 e Maduro sair derrotado, será substituído pelo vice-presidente nomeado pelo governante.

Segundo as pesquisas, entre 6 e 7 em cada 10 venezuelanos são favoráveis a uma mudança de governo. Para revogar o mandato de Maduro, a oposição precisa de mais de 7,5 milhões de votos, com os quais foi eleito em 2013 após a morte de Hugo Chávez.

"Este é um país polarizado, não pode se dar ao luxo de ter um árbitro que não termina de decidir as coisas, que não está sendo claro, apesar do clima político. As pessoas não entendem a demora", opinou Ignacio Avalos, diretor da ONG Observatório Eleitoral Venezuelano (OEV).

Enquanto isso, a tensão social cresce, os protestos se tornaram cotidianos, diante do agravamento da escassez de alimentos e remédios e da alta no custo de vida. A inflação é a mais alta do mundo: 180% em 2015 e o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê 700% para o encerramento deste ano.

"Marcharemos até que chegue a mudança que finalmente nos tirará desta crise que afeta nossas universidades e o resto do país", disse o presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade Central da Venezuela, Hasler Iglesias.

Para a oposição, o referendo "é uma válvula de escape para os venezuelanos". /AFP

Veja abaixo: Por que a Venezuela está em crise?

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