EFE/CRISTIAN HERNANDEZ
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Diárias de ministros venezuelanos no exterior chegam a 48 salários mínimos

Com direito a US$ 700 em dinheiro para cada dia passado fora do país, empregados dos altos escalões da administração pública fazem parte do seleto grupo que tem acesso a uma taxa de câmbio preferencial

Felipe Corazza, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2017 | 05h00

CARACAS - O presidente da Venezuela anunciou no domingo 30 um aumento de 60% no salário mínimo, que a partir desta segunda-feira valerá cerca de 60 mil bolívares – pelo câmbio paralelo, cerca de US$ 17. O montante, já baixo em relação aos preços venezuelanos, fica particularmente pequeno se comparado às diárias auferidas pelos altos funcionários do governo em viagens ao exterior. 

Com direito a US$ 700 em dinheiro para cada dia passado fora do país, empregados dos altos escalões da administração pública fazem parte do seleto grupo que tem acesso a uma taxa de câmbio preferencial: 10 bolívares por dólar. O paralelo nas ruas de Caracas está em 3.500 bolívares por dólar. 

Assim, um ministério, por exemplo, gasta 7 mil bolívares para comprar no Banco Central uma diária de viagem em espécie. O mesmo dinheiro poderia se transformar em 2,45 milhões de bolívares se chegasse ao mercado negro da moeda americana – ou cerca de 48 salários mínimos.

Opositores acusam o governo de “drenar” os dólares que o Banco Central venezuelano teria de utilizar para abastecer os setores importadores, enquanto o país atravessa um período de hiperinflação – projetada em 720% pelo FMI para este ano – e desabastecimento de produtos básicos.

Enquanto o escalão superior continua a receber suas diárias para o exterior, funcionários do governo que fazem deslocamentos internos reclamam de situação inversa. Suas diárias, definidas em Unidades Tributárias (UT), não cobrem os gastos básicos diante da escalada de preços. 

Um deputado opositor eleito pelo Estado de Táchira relatou à reportagem receber um valor mensal de 18 mil bolívares para deslocamentos e alimentação no exercício do mandato – em Caracas, o valor serviria para 18 copos de café.

Mesmo funcionários de órgãos comandados pelo chavismo, como a prefeitura metropolitana de Caracas, reclamam da falta de recursos. As diárias para deslocamentos com distância inferior a 40 quilômetros foram abolidas. Segundo Maduro, para “racionalizar os gastos”. 

A reportagem ouviu três fontes – duas delas ligadas ao governo venezuelano e uma com trânsito na diplomacia do país – sobre o assunto. O Ministério das Relações Exteriores não respondeu aos pedidos de entrevista. 

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