REUTERS/Enrique de la Osa
REUTERS/Enrique de la Osa

De cardápio controlado a restaurantes de luxo

A novela brasileira Vale Tudo é a fonte de inspiração de paladar, o nome que se transformou em sinônimo de restaurantes particulares em Cuba. Tímidos quando surgiram, nos anos 90, eles vivem uma explosão desde que Raúl Castro acabou com uma série de restrições para seu funcionamento, a partir de 2008.

Cláudia Trevisan - Enviada Especial/Havana , O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 01h10

Os primeiros paladares apareceram em meados da década de 90, quando Vale Tudo era uma febre em Cuba. A personagem Raquel, interpretada por Regina Duarte, começou a trama como vendedora de sanduíche natural e terminou como dona de uma rede de restaurantes, chamada Paladar. 

O espaço para que empreendedores privados criassem seus negócios surgiu na esteira da crise desencadeada pelo fim da URSS. Na época, todos os restaurantes de Cuba eram controlados pelo Estado. Além do pouco apelo da comida, eram célebres pela escassez de produtos. 

A primeira fase da liberalização era cheia de restrições, que incluíam um limite de 12 lugares por estabelecimento e controles sobre o cardápio. As amarras foram afrouxadas no fim da década passada e o os paladares se multiplicaram e se sofisticaram. Aberto há dez meses e especializado em comida espanhola, o Casa Pilar poderia estar em qualquer grande cidade do mundo. 

O Atelier funciona em uma casa no bairro de Vedado, um dos mais ricos de Havana, e tem um terraço decorado com antigos anúncios de Coca-Cola. Um jantar com bebida em qualquer dos dois custa cerca de US$ 20, cifra equivalente à média dos salários mensais dos que trabalham para o Estado.

As contas nos paladares devem ser pagas em CUC, a moeda conversível que circula na indústria do turismo de Cuba. Em 2014, o país recebeu 3 milhões de visitantes, metade do número que foi ao Brasil, país com extensão territorial 70 vezes maior que a da ilha. Apesar de os estrangeiros integrarem grande parte da clientela dos paladares mais caros, a frequência de cubanos é cada vez maior. A popularidade se reflete na internet. O site Conoce Cuba lista 300 paladares só em Havana, enquanto o AlaMesa tem informações sobre restaurantes.

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