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Díaz-Canel recebe presidência de Cuba e promessa de poder pleno em 2021

O novo presidente prometeu continuidade da revolução e garantiu que haverá 'pouco espaço para o capitalismo'; seu padrinho, Raúl Castro, mostrou que influenciará o governo das sombras

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2018 | 20h13

HAVANA - Se havia dúvidas sobre quais rumos Miguel Díaz-Canel adotaria ao assumir a presidência de Cuba elas se dissiparam nesta quinta-feira, 18, em seu discurso de posse na Assembleia Nacional. O novo presidente prometeu continuidade da revolução e garantiu que haverá “pouco espaço para o capitalismo”. Seu padrinho, Raúl Castro, mostrou que influenciará das sombras ao prometer que Canel assumirá o Partido Comunista até 2021, quando ele deixará o cargo.

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Durou pouco a esperança de que Díaz-Canel pudesse retomar a aproximação de Cuba com os EUA. Os americanos criticaram nesta quinta-feira, 18, o “processo de transição antidemocrático” em Cuba e pediram que o novo presidente melhore a vida o povo cubano. “Os cidadãos cubanos não tinham poder real para afetar o resultado deste processo de transição não democrático”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. 

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Parece pouco provável. Díaz-Canel iniciará um mandato de cinco anos, renovável por outros cinco, mas não mais que isso, em razão do limite de duas legislaturas estabelecido por Raúl Castro para os altos cargos. A sucessão presidencial tem sido marcada pela “continuidade”, uma tentativa de afastar a ideia de uma possível mudança de regime.

Diáz-Canel deixou claro que qualquer mudança na ilha passará pelo crivo de Raúl. “Quem vai encabeçar as decisões de maior importância para o futuro do país será Raúl Castro”, disse. “O mandato dado pelo povo a esta legislatura é para dar continuidade à Revolução Cubana em um momento histórico crucial, marcado pelo avanço na atualização do modelo econômico.”

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O novo presidente também deu um banho de água fria nos cubanos que tinham esperança em ver uma aceleração das reformas econômicas. Em 2009, um ano depois de substituir Fidel no poder, Raúl iniciou uma série de medidas para tentar modernizar a economia cubana. O chamado “raulismo” seria um processo de introduzir mais mercado na ilha, mas sem pluralidade de partidos, nos moldes seguidos por China e Vietnã, países que se abriram economicamente mas sem abertura política. 

"A revolução segue e seguirá viva, e não haverá transição que rompa com o passado revolucionário do país, não haverá espaço para aqueles que querem uma restauração capitalista”. Ele afirmou que a política externa se “manterá inalterada e Cuba não fará concessões à sua soberania, independência e não negociará seus princípios”.

Nas sombras. Após a posse, uma nova geração chega ao topo do Estado cubano, embora ainda sob a figura tutelar do general Castro, que permanece até 2021 como primeiro secretário do Partido Comunista, órgão máximo de decisão na ilha por determinação constitucional. 

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Raúl falou à Assembleia logo depois de Díaz-Canel, em um discurso de despedida oficial. Ele deixou a presidência do Conselho de Estado, cargo que cabe ao chefe de Estado e de governo da ilha, após dez anos de mandato. Em quase três horas, Castro deixou claro que será a eminência parda em Cuba. 

“Miguel tem solidez ideológica e maturidade para assumir o cargo de primeiro-secretário no momento apropriado”, disse Raúl. “É propícia a ocasião para esclarecer que não pretendemos modificar o caráter irrevogável do socialismo em nosso sistema político e social”, completou Raúl Castro, que também pediu que a Assembleia Nacional promovesse uma reforma constitucional para preparar Cuba para os desafios futuros. / REUTERS, W.POST, NYT e EFE 

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