Dificuldade de formar governo aprofunda instabilidade na Grécia

Grupos contrários aos pacotes de ajuda internacional saíram vitoriosos da eleição de domingo.

BBC Brasil, BBC

07 Maio 2012 | 19h39

Um dia após as eleições na Grécia não indicarem claramente nenhum partido vencedor, a agremiação com maior número de votos, a Nova Democracia, anunciou que não conseguiu formar um novo governo. A onda de incertezas aprofunda ainda mais o quadro de instabilidade econômica e agora política do país.

O anúncio foi feito pelo líder do partido de centro-direita, Antonis Samaras, e se converteu em mais um golpe na política de austeridade grega, contrapartida para o recebimento de pacotes de ajuda internacional.

Seu partido, a Nova Democracia, conquistou a maioria dos votos na eleição do último domingo, mas ele afirmou que um governo de coalizão será "impossível".

O grupo de extrema esquerda Syriza, que se opõe às medidas de austeridade, tentará agora formar uma coalizão contrária à política de resgate internacional.

O resultado eleitoral da Grécia combinado à escolha na França de um presidente contrário à austeridade alarmou as lideranças da União Europeia.

A chanceler (premiê) Angela Merkel disse que as reformas de austeridade da Grécia são de "extrema importância".

O porta-voz da Comissão Europeia, Pia Ahrenkilde Hansen afirmou que o organismo espera que o futuro governo grego respeite o compromisso de austeridade firmado com o bloco pela liderança anterior do país.

Os mercados caíram por causa dos resultados leitorais, mas se recuperaram logo depois. A Bolsa de Valores de Atenas, contudo, mergulhou 6,67% no final desta segunda-feira.

Medidas bárbaras

Como contrapartida aos resgates financeiros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (que já totalizam 240 bilhões de euros), a Grécia concordou em fazer cortes em pensões e pagamentos, subir taxas e reduzir o número de funcionários públicos.

O caos financeiro desencadeou protestos e uma grande agitação social, iniciando uma crise de desconfiança em relação aos partidos políticos que arquitetaram os planos de austeridade.

Samaras afirmou que seu partido fez "tudo que era possível" para formar um novo governo.

"Eu tentei encontrar uma solução para um governo de salvação nacional, com dois alvos: para o país continuar no euro e mudar a política de resgate por meio da negociação", disse durante um pronunciamento pela TV.

"Direcionamos nossa proposta para todos os partidos que poderiam participar deste esforço, mas eles rejeitaram diretamente o convite ou impuseram condições de participação que não foram aceitas pelos demais", afirmou.

Esquerda

O presidente Karolos Papoulias marcou uma reunião para a manhã de terça-feira com Alexis Tsipras, cuja coalizão Syriza ficou em segundo lugar na eleição de domingo.

Tsipras terá três dias para negociar a coalizão. Ele prometeu costurar uma coalizão de centro-esquerda para rejeitar as medidas "bárbaras" associadas ao acordo de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

"Esgotaremos todas as possibilidades para chegar a um entendimento, inicialmente com as forças de esquerda", afirmou.

Mas, segundo analistas, ele deve lutar para atingir o número necessário para formar uma maioria multipartidária.

O correspondente da BBC Mark Lowen afirmou que a crise política na Grécia está se aprofundando e a probabilidade da realização de novas eleições está aumentando.

Apesar de despontar como o maior partido político, o apoio ao Nova Democracia caiu de 33,5% na eleição anterior para 19% no domingo.

O apoio ao centro-esquerdista Pasok, que foi favorável às medidas de austeridade despencou de 43% para apenas 13%.

Os maiores vencedores do pleito foram os grupos contrários ao resgate internacional - Syriza, com 16,8% e o ultranacionalista Amanhecer Dourado com 7%. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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