Saul Loeb and Ronda Churchill/AFP
Saul Loeb and Ronda Churchill/AFP

Dificuldade em captar recursos faz Trump reduzir publicidade da campanha

Novos registros financeiros mostraram a extensão dos problemas de caixa do presidente; campanha do republicano tem quase três vezes menos dinheiro que a de Joe Biden

Shane Goldmacher e Rachel Shorey, The New York Times

21 de outubro de 2020 | 14h06

O comitê da campanha de reeleição do presidente Donald Trump terminou o mês de setembro com US$ 63,1 milhões, quantidade quase três vezes inferior aos US$ 177,3 milhões disponíveis para a campanha do democrata Joe Biden

Registros recentes da Comissão Eleitoral Federal mostraram a extensão dos problemas de dinheiro de Trump, que são graves o suficiente para que ele desviasse sua campanha dos principais Estados e voasse para a Califórnia no domingo para uma arrecadação de fundos faltando pouco mais de duas semanas até o dia da eleição. O presidente encerrou setembro com pouco mais da metade do dinheiro que tinha no início do mês.

Embora a campanha de Trump e seus comitês compartilhados com o Comitê Nacional Republicano tenham levantado US$ 1,5 bilhão desde o início de 2019, as divulgações desta semana mostraram que seu principal comitê de reeleição - a conta que deve pagar por muitos dos custos mais importantes da corrida, incluindo a maioria dos anúncios de televisão - tinha apenas uma pequena parcela restante.

Diante da nova realidade, a campanha de Trump tem procurado cortar custos, principalmente desde que Bill Stepien substituiu Brad Parscale como gerente de campanha, há dois meses. 

Sob o comando de Parscale, a campanha investiu na construção de um enorme banco de dados de endereços de e-mail e números de telefone para alcançar apoiadores e pedir dinheiro. Mas, à medida que a eleição se aproximava, as projeções esperançosas de um grande aumento nas contribuições não se concretizaram.

A campanha de Trump tem cortado anúncios de televisão de vários locais críticos nas últimas semanas, incluindo Estados que Trump venceu e está defendendo, Estados que ele esperava ganhar com bastante conforto, como Ohio e Iowa, e Estados que ele esperava conquistar em 2020, como Minnesota e New Hampshire.

Ao todo, a campanha de Trump e seus comitês compartilhados conseguiram US$ 251,4 milhões em outubro, em comparação com os US$ 432 milhões que a campanha de Biden e suas contas conjuntas com o Comitê Nacional Democrata tinham no banco.

As fortunas mudaram drasticamente desde o início do ano, quando Trump e os republicanos tinham quase US$ 190 milhões a mais no banco do que Biden e os democratas. Agora, entrando em outubro, Biden tinha quase o triplo de Trump. 

“A campanha de Trump tem todos os recursos de que precisamos para a reta final desta eleição”, disse Samantha Zager, porta-voz da campanha de Trump. “Como Hillary Clinton provou em 2016, nenhuma quantia de dinheiro pode comprar a presidência.”

Falando na Pensilvânia na noite de terça-feira, Trump comentou sobre a arrecadação de fundos. “Eu poderia ser o rei de todos os arrecadadores de fundos”, afirmou Trump, cuja campanha perseguiu agressivamente grandes contribuintes, dizendo que ele simplesmente não queria “ficar em dívida com eles”.

Os dois comitês conjuntos de Trump com o Partido Republicano gastaram US$ 190,8 milhões em julho, agosto e setembro para arrecadar US$ 355,2 milhões. A campanha de Biden gastou menos da metade na arrecadação de fundos de suas duas operações conjuntas com o Partido Democrata (US$ 82,4 milhões) e ainda levantou muito mais, US$ 457 milhões, durante o mesmo período.

Rufus Gifford, um dos vice-gerentes de campanha de Biden que supervisiona a arrecadação de fundos, fez uma provocação no Twitter quando a quantidade de dinheiro disponível de Trump se tornou pública. "Lembra quando Trump disse que financiaria sua própria campanha se precisasse? Bem, ele precisa". 

 

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