Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Dilma admite discutir sanções contra Damasco

Presidente diz estar aberta a negociar embargo desde que debate seja sobre ‘propostas concretas’

Jamil Chade, enviado especial a Londres,

27 de julho de 2012 | 21h41

LONDRES - O governo brasileiro passou a admitir abertamente a possibilidade de debater a adoção de sanções internacionais contra o regime de Bashar Assad. Em Londres, a presidente Dilma Rousseff voltou a recusar qualquer projeto de intervenção externa na Síria. Mas, questionada se o Brasil estaria disposto a discutir a imposição de embargos, como querem os europeus, Dilma deixou as portas abertas.

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"Nós estamos abertos a qualquer discussão a esse respeito", disse Dilma a jornalistas em Londres. Em seguida, a presidente ponderou: "Agora, ninguém vai aqui discutir isso em tese. Vamos discutir as propostas concretas. Não se faz um debate dessa seriedade em tese".

A posição da presidente é uma mudança importante em relação à tradicional linha do Itamaraty, que vinha recusando a possibilidade de impor sanções contra Damasco. A visão da diplomacia é a de que sanções apenas afetam a população e não o regime.

Dilma tratou do assunto no encontro que teve com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a principal voz hoje na Europa em defesa de uma resolução na ONU que inclua sanções, caso Assad não cumpra um cronograma para promover uma transição política. No encontro, Cameron insistiu na necessidade de um endurecimento da pressão contra Assad.

Na reunião com Cameron, Dilma admitiu que estava preocupada, mas alertou que uma intervenção militar não seria a solução. "Nós temos uma posição muito clara de repúdio à violência na Síria. Temos deixado claro esse repúdio", disse Dilma ontem à imprensa. "Mas nós não achamos que haja uma solução simples. Apoiamos as iniciativas da ONU, em especial a ida do mediador Kofi Annan e suas tentativas de construir a paz", declarou a presidente.

"Achamos importante que todo os integrantes do Conselho de Segurança tenham uma posição comum para construir a paz na Síria. Não é um fato fácil e nós também não achamos que os instrumentos utilizados até agora nos outros países, seja no Iraque ou no Afeganistão, resolvam o problema na Síria, no Irã ou em qualquer outro país", disse.

"Está provado que (a intervenção) não dá certo. O que nós temos de construir em conjunto é um caminho diferente em que a paz seja obtida por meios diplomáticos, mas por meios muito efetivos e partir de um consenso no Conselho de Segurança", completou a presidente.

Pressão na ONU. Esta semana, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, voltou a condenar o regime de Assad, estendendo as críticas a ataques de rebeldes contra a infraestrutura civil. Ela pediu um cessar-fogo imediato e responsabilizou "primordialmente" o governo sírio pelo controle da violência, "repudiando" também os ataques da oposição.

"Todas as partes deveriam cumprir suas obrigações para deter a violência, mas a responsabilidade primordial nessa questão recai sobre o governo da Síria", afirmou a embaixadora. "Também repudiamos ataques terroristas contra a infraestrutura civil." 

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