Morteza Nikoubazl/Reuters
Morteza Nikoubazl/Reuters

Dilma agradece carta, mas não cita Sakineh

Presidente considera mensagem enviada por deputada do Irã uma oferta positiva de diálogo e diz que direitos humanos estão no topo de sua agenda

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

Um dia depois de ter confirmado o recebimento da carta enviada pela presidente da Comissão de Direitos Humanos do Parlamento do Irã, Zohre Elahian, a presidente Dilma Rousseff distribuiu nota oficial na qual se limita a agradecer a correspondência e "reitera a disposição de continuar conferindo à questão dos direitos humanos um lugar central na política externa, sem seletividade e tratamento discriminatório".

O Palácio do Planalto não divulgou o teor da carta da parlamentar iraniana e, em sua nota oficial, Dilma não fez nenhuma referência a Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento sob acusação de adultério no Irã.

O governo brasileiro também não confirma que a mensagem enviada a Dilma mencione perdão ou comutação de pena envolvendo o caso de Sakineh - agências de notícia iranianas, no entanto, afirmaram que, em vez de ser executada, ela receberia uma pena de 10 anos de prisão.

De acordo com informações obtidas pelo Estado, a carta da parlamentar iraniana faz uma "oferta de diálogo", fato considerado "positivo" pelo governo brasileiro, e pede que o Brasil, antes de tomar qualquer iniciativa sobre o tema, espere que o processo de Sakineh seja concluído.

Apedrejamento. Um dos aspectos mais importantes da carta da parlamentar iraniana é a afirmação de que "o processo" contra Sakineh ainda "não terminou".

O tema é delicado e a possibilidade de morte por apedrejamento estremeceu a relação entre Teerã e Brasília, principalmente depois que Dilma deu declarações condenando as violações de direitos humanos no Irã.

O presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, não gostou e protestou ao embaixador brasileiro na capital iraniana.

O Palácio do Planalto confirmou o recebimento da carta iraniana na noite de segunda-feira, mas disse que ela só foi encaminhada a Dilma ontem, após ser traduzida, uma praxe diplomática. Após despacho com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, Dilma distribuiu a nota oficial, sem fazer referência a Sakineh.

No texto, ela diz que considera como "positiva" a disposição da deputada iraniana de realizar um amplo intercâmbio de opiniões por meio dos canais adequados.

Segundo Dilma, "um diálogo com as comissões de direitos humanos do Congresso brasileiro poderá ser de grande utilidade nesse sentido".

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