Alastair Grant/AFP
Alastair Grant/AFP

Dilma diz a Cameron que intervenção agravaria crise global

Presidente alega que intervenção militar na Síria ou no Irã faria preço do petróleo explodir

Jamil Chade, enviado especial a Londres,

25 de julho de 2012 | 21h43

LONDRES - A presidente Dilma Rousseff mandou nesta quarta-feira, 25, um alerta duro para o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron: qualquer intervenção militar, seja na Síria ou no Irã, fará o preço do petróleo explodir e prolongará a crise econômica mundial. O recado foi dado em uma reunião entre os dois chefes de governo em Londres. Segundo relato de um ministro que a acompanhava, Dilma disse que o governo Assad perdeu legitimidade.

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Dilma foi clara em rejeitar qualquer ideia de militarização do conflito sírio e de qualquer intervenção que possa repetir os cenários de Iraque e de Afeganistão. Como o Estado antecipou na terça-feira, Cameron usou o encontro com Dilma para pedir o apoio do Brasil em sua campanha para isolar cada vez mais o regime de Bashar Assad na Síria e para pressionar o Irã.

Na avaliação dos britânicos, chegou o momento de o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução que determine sanções contra Assad. Londres vem liderando a campanha e assumindo o papel que tradicionalmente cabe aos EUA.

Em plena campanha presidencial, o presidente americano, Barack Obama, tem evitado levantar debates sobre eventuais intervenções militares. No entanto, China e Rússia rejeitam qualquer iniciativa nesse sentido e vem minando a ação dos britânicos. Ontem, Dilma foi clara. A situação da Síria é "preocupante", o Brasil condena a violência e admite que o país vive uma guerra civil, mas nada disso significa que a comunidade internacional deva adotar a mesma estratégia que aplicou no Iraque e no Afeganistão.

"A militarização não funciona", disse Antonio Patriota, chanceler brasileiro após o encontro. Ele admitiu, no entanto, que o Brasil está "preocupado" com o fato de o Conselho de Segurança não chegar a um consenso sobre como resolver a questão da Síria.

Na reunião, Cameron citou a situação do Irã. Uma vez mais, porém, Dilma rejeitou qualquer intervenção, alertando que o risco de um conflito regional teria um profundo impacto sobre os preços do petróleo e agravaria a crise econômica global.

Diplomacia. De acordo com Dilma, uma intervenção militar internacional na Síria ou no Irã prejudicaria os próprios esforços dos europeus para resgatar suas economias. A presidente defende o diálogo com Teerã e insiste que seu governo não apoiará jamais o uso de energia nuclear para fins militares.

A posição do Brasil, segundo Dilma, reflete a tentativa do País de mediar uma negociação com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sobre o enriquecimento de urânio, feita em parceria com a Turquia, em 2010. Ela insiste que o diálogo é a única maneira de lidar com a situação do Irã. 

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