Dilma evitará reunir-se com dissidentes em Cuba

Para assessores, concessão de visto à blogueira Yoani Sánchez já é um gesto político forte da presidente

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA , JOÃO DOMINGOS / PORTO ALEGRE , O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h03

Apesar de o governo brasileiro ter concedido visto para a dissidente cubana Yoani Sánchez, a presidente Dilma Rousseff não pretende incluir em sua agenda o pedido de audiência feito por oposicionistas daquele país. A concessão do visto e a nota publicada pelo Itamaraty anunciando a decisão foram consideradas um "gesto público forte" do governo no sentido de posicionar-se em relação à questão.

Auxiliares da presidente asseguram que receber os oposicionistas seria um ataque direto ao regime cubano, o que atrapalharia o resultado da visita de três dias de Dilma a Havana, que começa na segunda-feira.

Nos discursos que fará em Cuba, a presidente aproveitará para elogiar a abertura comercial cubana. Dilma dirá que vê com bons olhos a iniciativa e afirmará que o Brasil fica feliz em contribuir para melhorias na ilha. Na avaliação de auxiliares da presidente, essa é uma maneira mais eficiente de sugerir mudanças.

Dilma ressaltará ainda a cooperação entre Cuba e o Brasil, exaltando a importância dos investimentos no país caribenho. A exemplo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela pedirá o fim do embargo americano à ilha.

Para mostrar a disposição do Brasil de continuar cooperando com Raúl Castro, a presidente levará no bolso a aprovação das duas últimas parcelas de US$ 380 milhões de financiamento para a conclusão da reforma do Porto de Mariel, a 50 km de Havana, conduzida pela construtora brasileira Odebrecht. Anunciará também uma linha de crédito para que o país importe equipamentos agrícolas brasileiros.

Visto. O assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que o governo orientou a Embaixada do Brasil em Havana a conceder o visto de turista à Yoani Sanchez, que assina uma coluna quinzenal no Estado. "O visto foi concedido. Agora, obter a autorização para sair de Cuba é problema dela", afirmou.

Segundo Garcia, o governo tinha consciência de que Yoani aproveitaria para pedir o visto na véspera da viagem da presidente a Cuba, para criar um fato político. Para o assessor, o fato de o Brasil conceder o visto não configura uma mudança na política em relação a Cuba. "Não foi concedido antes porque ela não pediu." A blogueira disse ontem pelo Twitter que se encontra entre a "esperança e o ceticismo" em relação a sua viagem ao Brasil.

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