Dilma expressa a Obama 'preocupação' com dólar desvalorizado

Presidente se encontrou com Barack Obama na Casa Branca, em seu primeiro dia de visita oficial aos EUA.

Pablo Uchôa, BBC

09 de abril de 2012 | 16h31

A presidente Dilma Rousseff manifestou nesta segunda-feira ao seu colega americano, Barack Obama, sua preocupação com a depreciação das moedas dos países desenvolvidos - em consequência das políticas monetárias expansionistas para conter a crise nesses países.

Após um encontro com Obama na Casa Branca, em Washington, Dilma alertou que esse desequilíbrio pode afetar a todos os países, mas principalmente os emergentes. Dilma chegou a classificar o excesso de liquidez como um "tsunami monetário"

"Reconhecemos o papel dos Bancos Centrais, em especial do Banco Central Europeu, em impedir uma crise de liquidez de altas proporções, afetando a todos os países" , disse Dilma, sentada ao lado de Obama à frente da tradicional lareira do Salão Oval.

"Mas também manifestamos para o presidente a preocupação do Brasil com a expansão monetária, sem que os países equilibrem essa expansão monetária com políticas fiscais baseadas na expansão dos investimentos", afirmou.

"Essas políticas monetárias levam à desvalorização das moedas dos países desenvolvidos, levbando ao comprometimento dos países emergentes."

O encontro é parte da agenda de Dilma e Obama. A reunião começou às 11h45 e deveria terminar às 12h30, mas se estendeu por cerca de 45 minutos.

Obama

Ao lado de Dilma, Obama fez um breve discurso diplomático, afirmando que a relação entre Brasil e EUA "nunca esteve tão forte".

Ele ressaltou o fato, já anunciado, que os EUA abrirão mais dois consulados no Brasil, em Belo Horizonte e Porto Alegre.

Obama informou que os dois líderes discutiram temas como a cooperação energética - principalmente em temas de biocombustível, petróleo e gás -, intercâmbios educacionais e combate ao narcotráfico com vistas à Cúpula das Américas, no próximo fim de semana em Cartagena, na Colômbia.

Já a presidente brasileira falou por quase 20 minutos em tom de trabalho. Além da questão fiscal, ela também disse que Brasil e EUA têm várias áreas de cooperação, por exemplo, no campo da defesa, atividade naval, energia e inovação.

Ela lembrou que a Copa de 2014 e o Programa de Aceleração do Crescimento proveem "extensas oportunidades de investimento" no país.

Mais tarde, quem estará no palco da Câmara Americana de Comércio é a presidente Dilma Rousseff, que encerrará o evento no fim da tarde.

O encontro de Dilma e Obama se estende até depois do almoço. Depois, ela encerra um fórum de CEOs brasileiros e americanos, que fazem parte dos diálogos entre os dois países para gerar inovação.

No fim da tarde, Dilma encerra outro evento, na Câmara Americana de Comércio, e à noite tem um jantar privado na Embaixada. Na terça-feira, a presidente vai para a cidade de Boston, onde visita as sedes da Universidade de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT). BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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