Dilma fala em 'tentações colonialistas' da França

Presidente diz que ofensiva militar francesa no Mali só deveria ter sido tomada após aval das Nações Unidas

LISANDRA PARAGUASSU, RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2013 | 02h02

A presidente Dilma Rousseff criticou ontem abertamente a intervenção francesa para conter grupos rebeldes no Mali durante declaração à imprensa na Cúpula Brasil-União Europeia. Apesar de não citar o país europeu, Dilma condenou a interferência sem o aval das Nações Unidas e alertou para o risco de "tentações coloniais".

A autorização para intervenção estrangeiras foi dada pela ONU, mas a França teria se adiantado - a previsão inicial era setembro - e enviado suas tropas antes dos termos da resolução terem sido acertados. O país, que já foi o poder imperial naquela região da África, tem interesses diretos não apenas no Mali, mas no vizinho Níger.

"O combate ao terrorismo não pode violar os direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, até mesmo as antigas tentações coloniais", afirmou a presidente. "No que se refere ao Mali, nós defendemos a submissão das ações militares às decisões do Conselho de Segurança da ONU, com atenção à proteção de civis."

Foi a primeira vez que o governo brasileiro se manifestou oficialmente sobre a situação no Mali. Até agora, o chanceler Antonio Patriota não havia falado no tema, nem o Itamaraty havia divulgado alguma nota. Tradicionalmente, o Brasil defende que ações de intervenção militar precisam ser aprovadas pela ONU e é crítico de intervenções unilaterais.

A França argumenta que foi chamada pelo presidente interino do Mali, Dioncoundá Taoré, que assumiu o poder em março de 2012 após um golpe de Estado, para conter o avanço de forças rebeldes ligadas à Al-Qaeda. Dilma culpou outra intervenção, na Líbia, em 2011, pela instabilidade no Mali. Para a presidente, a disponibilidade de armas usadas pelos rebeldes líbios ajudou a armar os insurgentes no Mali.

Em resposta a Dilma, o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, defendeu o que chamou de esforços contra o terrorismo.

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