Dilma justifica pedido de cessar-fogo feito pelo Brasil

Segundo presidente, o País é a favor de uma solução pacífica para a crise na Líbia e o uso da força só atrai repúdio

Liège Albuquerque e Talita Eredia, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff justificou ontem, em Manaus (AM), o pedido feito na véspera pelo governo brasileiro por um cessar-fogo na Líbia. "Somos a favor de uma solução pacífica e, diante do que está acontecendo, continuamos com nossa posição de cessar-fogo desde que votamos na ONU (na verdade, o Brasil se absteve na votação). Essa não é uma posição só nossa, é também da Alemanha, China e Rússia."

"O que está acontecendo na Líbia é preocupante. O uso da força de um governo contra manifestantes desarmados só pode despertar manifestações de repúdio e foi nesses termos que nos expressamos."

A primeira condenação ao governo líbio ocorreu ainda em fevereiro, no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e determinou a elaboração de um relatório que ainda está em processo de produção.

Dilma disse também que o "apreço" mencionado pelo presidente americano, Barack Obama, a uma reforma na estrutura do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) com um assento permanente do Brasil foi um reconhecimento ao papel do País hoje.

Para Dilma, "não é concebível" o Brasil continuar sem um assento permanente no conselho. "Hoje somos a sétima economia do mundo, amanhã seremos a quarta, quinta. Não é concebível uma ONU reformada sem o Brasil", afirmou.

Patriota. Horas depois, na Universidade de São Paulo (USP), onde proferiu uma aula inaugural, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, disse que a preocupação do Brasil é com "a mudança da narrativa" dos protestos no mundo árabe, ressaltando que, até agora, eles têm sido espontâneos, "sem a inclusão de ingredientes como a conspiração internacional, ocidental ou israelense". "No caso de uma intervenção que cause a morte de civis - nós temos visto que isso pode acontecer, como no Iraque a partir de 2003 -, e apesar dos motivos nobres, isso muda o sentimento popular e transforma a dinâmica popular."

"Não somos os únicos com duvidas sobre a operação", continuou o ministro. "Agora vamos esperar para ver como se encaminha a situação, para que haja o mínimo de violência, de derramamento de sangue possível e se estabeleça um processo de transição política benigno, como no Egito."

O chanceler afirmou que uma comissão das Nações Unidas que está na Líbia vai apresentar um relatório ao Conselho de Segurança entre hoje e amanhã.

"Aguardamos o informe do secretário-geral (da ONU) Ban Ki-moon."

O Brasil, ao lado de Índia, Rússia, China e Alemanha, absteve-se da votação que decidiu pela intervenção militar para a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a adoção de "todas as medidas necessárias" para a proteção dos civis líbios. A Resolução 1.973 foi aprovada por dez votos a favor e nenhum contra.

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DILMA ROUSSEFF

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"Somos a favor de uma solução pacífica e, diante do que está acontecendo, continuamos com nossa posição de cessar-fogo. Essa não é uma posição só nossa; é também da Alemanha,

China e Rússia"

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