Dilma recebe Humala, que passa quatro dias no Brasil

Presidente peruano eleito deve passar também por Argentina, Chile e Uruguai.

O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2011 | 11h27

LIMA - Em sua tentativa de mostrar-se um esquerdista moderado, o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, inicia hoje pelo Brasil um giro de uma semana por alguns países da região. Ele deve passar também por Argentina, Chile e Uruguai. A presidente Dilma Rousseff foi a primeira a convidar Humala para uma visita, depois de cumprimentá-lo pela vitória nas eleições presidenciais peruanas no fim de semana.

 

Durante a campanha presidencial, Humala abriu mão do discurso radical ligado ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, e tentou vincular sua imagem ao modelo de governo brasileiro e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem ele se reúne amanhã. No segundo turno, enquanto estava empatado nas pesquisas com a conservadora Keiko Fujimori, Humala chegou a anunciar uma viagem ao Brasil para visitar a presidente Dilma, mas a visita foi cancelada.

 

Humala se encontra com Dilma às 10 horas. Em seguida, será recebido pelo secretário-geral do Itamaraty, Ruy Nogueira, que, segundo fontes diplomáticas, deve oferecer um almoço ao presidente eleito. Antes de partir para o Uruguai, na segunda-feira, Humala passa o fim de semana em São Paulo.

 

Setores conservadores peruanos temem que Humala vincule seu governo ao de Chávez. Mas, o presidente eleito do Peru disse repetidas vezes que o modelo venezuelano não é aplicável no país e elogiou o Brasil e as empresas brasileiras, as maiores investidoras nas minas peruanas, no setor industrial e em projetos hidrelétricos. Para Humala, o Brasil combinou crescimento econômico e social, algo que ele propõe para o Peru.

 

Humala afirmou que também planeja visitar em breve Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela. Além disso, indicou que pode viajar para os Estados Unidos. "Gostaria de entrar em contato com o governo americano. Tenho interesse em resolver os problemas de meu país e ser um bom vizinho da América Latina", afirmou.

 

Humala recebeu ontem a prefeita de Lima, Susana Villarán, membros do comitê político do partido Apra, do presidente Alan García, integrantes da maior organização empresarial do país e representantes da Sociedade Nacional das Indústrias. Ontem, a Bolsa de Lima fechou em alta pela segunda vez na semana. Humala toma posse em 28 de julho.

 

Apoio boliviano

 

O presidente da Bolívia, Evo Morales, está confiante de que Humala o apoiará na disputa com o Chile por uma saída para o mar. Antes de iniciar a viagem que inclui o encontro com o presidente chileno, Sebastián Piñera, Humala deixou claro que não será um obstáculo para a demanda boliviana, mas não intervirá e a questão é "um problema de dois, não de três" países. Piñera foi o primeiro presidente a parabenizar Humala, antes de os resultados oficiais serem divulgados. O Chile é a última etapa da viagem. / AP e AFPL

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