Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Dilma recebe telefonemas de Maduro e Biden

Venezuela pede apoio contra sanções dos EUA; vice de Obama discute visita da presidente brasileira a Washington

RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2015 | 02h03

A presidente Dilma Rousseff recebeu ontem telefonemas do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e do vice-presidente dos EUA, Joe Biden. Na conversa com Maduro, o venezuelano garantiu que pretende reduzir as tensões com os EUA e buscou apoio do Brasil para um eventual embate com Washington na Cúpula das Américas, que começa amanhã, no Panamá. Caracas tenta obter de aliados uma declaração que condene as sanções impostas pelos americanos a sete autoridades do país acusadas de violação de direitos humanos e corrupção.

No telefonema de Biden, segundo nota do Palácio do Planalto, Dilma discutiu questões relacionadas à próxima visita dela aos EUA, em setembro. Biden também teria confirmado um encontro de Dilma com o presidente Barack Obama durante a Cúpula das Américas.

Caracas. Em uma tentativa de amenizar as tensões entre Washington e Caracas, o alto conselheiro do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Shannon, reuniu-se ontem com a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez. A visita de Shannon a Caracas ocorre um dia depois de os EUA assegurarem que a Venezuela não é uma ameaça a sua segurança nacional, ao contrário do que diz a ordem executiva que autorizou sanções contra sete funcionários chavistas.

"Ao fim do encontro com o funcionário americano, no qual foi trazida uma mensagem de seu governo, a ministra ressaltou a exigência de anulação da ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama em 9 de março", disse a chancelaria venezuelana por meio de nota.

Segundo o Departamento de Estado, a visita é uma resposta ao convite da Venezuela para que o governo americano enviasse um funcionário de alto escalão a Caracas para se reunir com Maduro antes da Cúpula das Américas.

De acordo com diplomatas americanos, o próprio secretário de Estado, John Kerry, pediu a Shannon que viajasse a Caracas para se reunir com o presidente venezuelano. "O governo venezuelano chamou ao diálogo direto e sempre deixamos claro que mantemos relações diplomáticas e estamos dispostos a conversar diretamente", disse uma fonte americana.

Em resposta, Maduro deu as boas-vindas ao novo gesto do governo americano. "Saúdo as declarações que foram emitidas por assessores do presidente Barack Obama", disse o presidente venezuelano durante seu programa de rádio e televisão.

Sanções. Ainda ontem, Caracas nomeou como ministros dois dos funcionários listados nas sanções impostas pelo governo americano. Manuel Pérez Urdaneta, que comandava a Polícia Nacional Bolivariana (PNB), foi nomeado vice-ministro de Prevenção e Segurança Cidadã, enquanto Katherine Haringhton tornou-se vice-ministra do Sistema de Integração Penal. / COM EFE

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