Dilma saúda Obama e promete telefonema

Presidente do Brasil faz formato de coração com as mãos após falar de eleição nos EUA

RAFAEL MORAES MOURA , LISANDRA PARAGUASSU , TÂNIA MONTEIRO , BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2012 | 02h07

A presidente Dilma Rousseff aproveitou discurso ontem em Brasília, durante a abertura da 15ª Conferência Internacional Anticorrupção (IACC), para cumprimentar o presidente reeleito dos Estados Unidos, Barack Obama, pela vitória das urnas. A reeleição de Obama agrada ao governo brasileiro que, apesar de não ter dado manifestações oficiais de apoio a nenhum dos lados, tem reconhecidamente um apreço maior pelos democratas.

Dilma, no entanto, ainda não telefonou para a Casa Branca para parabenizar o presidente - segundo o Palácio do Planalto, Obama só receberia esses telefonemas a partir de hoje, após uma longa e exaustiva campanha.

Ao falar do compromisso do Brasil contra a corrupção, Dilma destacou a Parceria pelo Governo Aberto, lançada por ela e por Obama em 2011. "Colaboramos com o desenvolvimento de instrumentos inovadores que contribuem para a prevenção da corrupção, como é o caso da Parceria pelo Governo Aberto. Aproveito a oportunidade para cumprimentar o povo americano e o presidente Obama por sua eleição", disse a presidente, sob aplausos do público.

Ao sair do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, palco do evento, Dilma disse: "Eu vou dar os parabéns a ele (Obama)". A presidente ainda fez o formato do coração com as mãos.

No Itamaraty, o fato do presidente americano ter voltado a negociar em organismos multilaterais, como o G-20, ignorados pelo seu antecessor, é considerado um avanço. Também há a avaliação de que há um respeito maior pelas posições dos demais países e menos pressão por um alinhamento com as posições americanas.

No Palácio do Planalto, além de uma identificação maior com um governo com uma agenda social maior do que os republicanos, Dilma Rousseff tinha um temor mais palpável, o de que o republicano Mitt Romney retomasse as políticas de liberalização total praticadas por George W. Bush e revertidas por Obama. Dilma considera a falta de controle dos mercados praticada pelos republicados como a principal causa da crise econômica que começou em 2008 nos EUA.

O governo brasileiro espera estreitar ainda mais os laços com Washington, já notabilizados por iniciativas como o programa Ciência Sem Fronteiras - a Casa Branca pretende mais do que dobrar o número de estudantes brasileiros nos Estados Unidos - e o Governo Aberto.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, ligou logo cedo na manhã de ontem para o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, e o cumprimentou pela reeleição do presidente Obama, estendendo os cumprimentos a todo o povo americano.

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