'Dilma tem de adiar visita e mostrar insatisfação'

A presidente Dilma Rousseff tem sua chegada em Cuba prevista para o dia 31, na primeira viagem oficial do ano. Para o dissidente cubano Elizardo Sánchez, porém, diante da morte do ativista Wilman Villar, "o mínimo que (a líder brasileira) poderia fazer é adiar a visita", para demonstrar que não está de acordo com o governo de Raúl Castro, nem com o recente "assassinato" do dissidente.

O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h04

"Não temos os mesmos direitos que têm os brasileiros. Dilma está prestes a visitar o país que tem a pior situação em termos de direitos civis, políticos, econômicos e culturais da América Latina. Esperamos a solidariedade da presidente brasileira ao povo de Cuba, cujos direitos básicos continuam sendo afrontados diariamente pelo regime", disse Sánchez ao Estado.

Segundo o ativista, a visita de Dilma traz um "risco político" para a brasileira, que poderia ficar "malvista" pela comunidade internacional. Sánchez disse esperar que a posição do Brasil em relação a Cuba torne-se mais crítica, qualificando de "uma vergonha" a relação que a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve com os líderes da ilha. "É imperdoável que um ex-sindicalista, diante dos trabalhadores cubanos, que, sem nenhum direito, são os mais explorados do Ocidente, tenha uma relação tão próxima com Fidel (Castro)", disse.

A viagem do papa Bento XVI a Cuba, prevista para o fim de março, também recebeu críticas de Sánchez. "Essas visitas outorgam legitimidade internacional e fortalecem o regime, ao mesmo tempo em que a repressão aumenta (na ilha)."

"No mês passado, cerca de 800 pessoas foram detidas." Segundo o ativista, Cuba mantém aproximadamente 50 presos políticos. / G.R.

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