(Koji Harada/Kyodo News via AP)
(Koji Harada/Kyodo News via AP)

Diminuem as esperanças de encontrar sobreviventes do deslizamento de terras no Japão

O número oficial de mortos permanece em quatro, mas o prazo de 72 horas após a catástrofe, considerado crítico pelos peritos para encontrar pessoas vivas, terminou no final da manhã desta terça

Hiroshi Hiyama/AFP, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 09h38

TÓQUIO - As autoridades da cidade costeira de Atami, no Japão, ainda tentavam, nesta terça-feira, 6, determinar o número de vítimas do enorme deslizamento de terras que varreu dezenas de casas no último sábado, 4, à medida que diminuem as esperanças de encontrar sobreviventes.

O número oficial de mortos permanece em quatro, mas o prazo de 72 horas após a catástrofe, considerado crítico pelos peritos para encontrar pessoas vivas, terminou no final da manhã desta terça.

Duas pessoas "inconscientes" foram encontradas na parte da tarde, disse a emissora estatal NHK, sem especificar se estavam vivas ou mortas.

O número de pessoas cujo paradeiro era desconhecido até o início desta terça chegou a mais de 100. No entanto, horas mais tarde, as autoridades disseram já ter localizado a maior parte delas, qeu estão em segurança. 

"Agora o número de pessoas desaparecidas é de 29", disse Takamichi Sugiyama, porta-voz da prefeitura de Shizuoka, província onde se situa a cidade de Atami. 

"Quanto mais tempo passar, mais difícil será salvar pessoas, mas continuaremos a nossa busca tentando salvar o maior número de vidas possível", disse à AFP. 

O presidente da Câmara, Sakae Saito, disse que estava "rezando para que possamos encontrar o maior número de pessoas possível".

As autoridades anunciaram na segunda-feira que uma das vítimas identificadas foi Chiyose Suzuki, 82 anos, que morreu no hospital.

Seu filho mais velho, Hitoshi, 56 anos, disse à Kyodo News Agency que lamentava não ter conseguido levar sua mãe, que tinha dificuldade para andar, quando a polícia lhes ordenou que evacuassem as casas. "Eu devia ter voltado e tê-la tirado de lá", disse.

130 edifícios destruídos ou danificados 

O deslizamento de terras ocorreu no sábado após vários dias de chuva forte em Atami, uma estância de montanha a cerca de 100 km a sudoeste de Tóquio.

O deslizamento de lama, em várias ondas, varreu postes de eletricidade, aterrou veículos e destruiu casas, destruindo ou danificando um total de 130 edifícios.

Três dias após a catástrofe, Atami ainda é um espetáculo de desolação, com casas desmoronadas, veículos derrubados e ruas intransitáveis.

As imagens de helicóptero mostraram um rio de lama e rochas com cerca de dois quilômetros de comprimento fluindo para o mar.

Cerca de 1.100 socorristas retomaram as buscas nesta manhã, tentando abrir caminho por meio dos escombros cobertos de lama.

Grande parte do Japão encontra-se atualmente no meio da estação das chuvas, o que causa frequentemente inundações e deslizamentos de terras. 

Os cientistas dizem que o fenômeno é exacerbado pelas alterações climáticas, uma vez que uma atmosfera mais quente retém mais água e aumenta o risco e a intensidade da precipitação.

Atami recebeu 313 milímetros de chuva em 48 horas na sexta e no sábado, em comparação com a precipitação média de 242 mm em Julho nos últimos anos.

 

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