Diminui esperança de achar sobreviventes do tremor na China

Três dias após o terremoto, 26 mil continuam soterrados; número de vítimas pode chegar a 50 mil

Reuters,

15 de maio de 2008 | 16h00

Três dias depois do terremoto na China, as esperanças de encontrar sobreviventes em meio às ruínas das cidades destruídas diminuem. As equipes de resgate parecem estar atrasadas pela falta de equipamentos específicos para a missão. Nesta quinta-feira, 15, o número de vítimas do tremor, o pior no país nos últimos 30 anos, subiu para 20 mil. A mídia estatal ainda anunciou que o governo espera que o saldo de mortos chegue a 50 mil somente na província de Sichuan, região central da China.  Veja também:Número de mortos pode chegar a 50 milMédicos alertam para risco de epidemias Chineses no Brasil arrecadam ajuda Mapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Vídeo com imagens do terremoto Vídeo com imagens do resgate Imagens da destruição  Pelo menos 26 mil pessoas estão soterradas em áreas de difícil acesso para as equipes de resgate, que lutam contra os deslizamentos de terra, estradas interrompidas e pontes que ameaçam desabar. Cerca de 10 milhões de pessoas foram atingidas diretamente pelo tremor de 7,9 graus na escala Richter. Apesar disso, ainda há momentos de alegria e alívio. "Obrigado, obrigado", gritava uma mulher de 22 anos, após ser resgatada com segurança na cidade de Dujiangyan. Ela estava presa sob os escombros de um hospital, sem poder se mexer. Uma adolescente também foi salva dos destroços de sua escola, mas teve sua perna amputada. Outra garota, de 3 anos, foi resgatada. Ela estava protegida em meio aos escombros por seus pais mortos. Turistas da Grã-Bretanha, Estados Unidos e França foram salvos por aviões de uma reserva de pandas, mas o ministro do Exterior disse que pelo menos 893 estrangeiros continuam desaparecidos. Mais ajuda está chegando e os esforços de coordenação do auxílio também está crescendo. Em Sichuan foi criado um canal telefônico para ajuda às vítimas e ambulâncias com placas de Beijing tomam as estradas. Cerca de 12,5 toneladas de suprimentos foram lançados por pára-quedas e uma grande quantidade de helicópteros estão sendo somados aos esforços de ajuda. O ministro da Saúde disse que as necessidades vão desde itens básicos, como bandagens e antibióticos, à equipamentos como ventiladores e máquinas para diálises. Dificuldades Em algumas vilas próximas à região de Beichuan, uma das mais atingidas, os irritados moradores reclamam que têm muito pouco para comer e estão sendo forçados a beber água contaminada. Muitos estão dormindo fora de suas casas ou em abrigos temporários onde a falta de água e banheiros aumenta o temor de doenças. O ministro para Recursos da Água afirmou que os danos na barragem se expandiram. Ele alertou para os canais de água bloqueados e a dificuldade em drená-los. O primeiro-ministro Wen Jiabao, que tem formação em geologia, viajou para a zona do desastre para encorajar as equipes de resgate e confortar as crianças que perderam seus pais. Esforço popular  Diante da dimensão da tragédia, a população das áreas atingidas se uniu ao governo na busca de feridos e sobreviventes.  Carros, motos, pequenos caminhões e triciclos circulavam freneticamente nas estradas que ligam as principais cidades próximas ao epicentro do tremor, na Província de Sichuan.  O governo distribui gasolina de graça aos veículos que participam das buscas e havia filas intermináveis nos postos na estrada entre Chengdu, capital da província, e Mianzhu, a 50 quilômetros do epicentro.  As motos são cruciais, pois podem alcançar vilas isoladas. O último grande terremoto na China tinha acontecido em 1976, quando mais de 300 mil pessoas morreram.

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