Diminui tensão militar na Venezuela

O coronel da Força Aérea Pedro Soto e o capitão da Guarda Nacional Pedro Flores, que na semana passada declararam-se em rebeldia e pediram a renúncia do presidente venezuelano, Hugo Chávez, apresentaram-se, nesta segunda-feira, ao comando de suas respectivas armas, reduzindo a tensão militar que se somara à profunda crise política da Venezuela.Dezenas de apoiadores, com bandeiras venezuelanas e batendo panelas, acompanharam a apresentação dos dois oficiais, que devem sofrer sanções pelos atos de insubordinação."Busco interpretar o sentimento do povo e das Forças Armadas da Venezuela", declarou Soto a jornalistas, procurando justificar seu ato de rebeldia, momentos antes de entrar na sede da Força Aérea, em Caracas. "Considero que a Constituição venezuelana permite a todos os cidadãos manifestarem-se livremente e expressar suas discordâncias com os temas de governo que não vão na direção que o povo do país deseja."Soto respondeu aos comentários feitos na véspera por Chávez, que o qualificou de "traidor". "Quero saber quem é mais traidor: o homem que expressa suas idéias ou o que vende seu país à guerrilha colombiana", declarou Soto, referindo-se às acusações de que o governo de Chávez mantém negociações secretas com o grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As especulações a esse respeito têm abalado as relações entre Caracas e Bogotá.O advogado dos dois oficiais, o coronel da reserva Hidalgo Valero, afirmou que ambos deveriam ser libertados porque "não cometeram nenhum delito". "Eles defenderam e estão defendendo a Constituição e as Forças Armadas", disse Valero, acrescentando que "outros militares da ativa podem insurgir-se contra o governo de Chávez em breve".Opositores de Chávez acusam o presidente de estar provocando a rebelião de integrantes das Forças Armadas para justificar um endurecimento de seu regime. Há várias semanas, o enfrentamento entre o governo venezuelano, os empresários e os órgãos de imprensa do país tem-se aprofundado. Acusando o presidente de autoritarismo, a oposição não aceita um pacote de reformas enviado por Chávez ao Congresso, que modifica as normas sobre a propriedade da terra e o direito de exploração da pesca e do petróleo.Membros do governo, por seu lado, acusam o ex-presidente Carlos Andrés Pérez - de quem Soto foi ajudante de ordens -, de estar por trás dos episódios de insurgência dos oficiais da ativa. Em Nova York, Pérez rechaçou a acusação e afirmou que a atual crise venezuelana se deve mais "aos erros e equívocos de Chávez do que a uma conspiração".O ex-presidente também advertiu que o Exército "tomará a decisão de apartar Chávez do poder". "O povo já derrotou Chávez, mas ainda não o derrubou", declarou Pérez em entrevista a uma emissora de TV da República Dominicana. "Essa derrubada deve produzir-se a qualquer momento, e caberá finalmente ao Exército tomar essa decisão", concluiu o ex-presidente, destituído da presidência por impeachment em 1993, sob a acusação de corrupção.

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