Dinamarca anuncia expedição ao Ártico

Intensifica-se luta pela soberania do Pólo Norte, região rica em petróleo

Ap e Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Cientistas dinamarqueses partem amanhã do porto de Tromso, na Noruega, para uma nova expedição ao Ártico. Os expedicionários, que retornarão no dia 17 de agosto, buscam elementos que sustentem a reivindicação territorial de algumas áreas do Pólo Norte pela Dinamarca. De acordo com estudos feitos nos EUA, a região teria 25% das reservas de petróleo ainda não descobertas do planeta e seria rica em gás natural e outros recursos minerais.A corrida pela exploração do Ártico começou quando uma expedição russa enviou dois pequenos submarinos para colocar no leito do oceano uma bandeira da Rússia. Moscou anunciou que pretende controlar uma grande porção do leito marinho do Pólo Norte porque, segundo o Kremlin, a área seria uma extensão da placa continental russa. Para geólogos russos, a cadeia montanhosa de Lomonosov, com 1.800 quilômetros de extensão, que se encontra embaixo do Círculo Polar, seria um prolongamento do território russo. Os outros quatro países que possuem território dentro do Círculo Ártico - Canadá, Dinamarca, Noruega e os EUA - reagiram. Muito irritado, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tom Casey, disse que a Rússia tem direito nenhum sobre o subsolo ártico. "Não sabemos se plantaram uma bandeira metálica, uma de plástico ou se cobriram o fundo do oceano com um pano, o que importa é que eles não têm direitos sobre as riquezas do subsolo ártico", disse. Os cientistas dinamarqueses anunciaram ontem que um dos principais objetivos de sua missão é provar que a formação de Lomonosov é, na verdade, uma extensão da Groenlândia, território administrado pela Dinamarca. "Os estudos preliminares são muito promissores", disse Helge Sander, ministra da Ciência e Tecnologia da Dinamarca. "Algumas evidências mostram que o Pólo Norte pode se tornar dinamarquês e dar-nos acesso ao petróleo e ao gás natural", afirmou.Já o Canadá, que também afirma que a cadeira montanhosa é parte de seu território, anunciou ontem que construirá duas bases militares no Ártico, em uma tentativa de garantir sua soberania sobre a região em disputa. O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, afirmou que pretende instalar na área um centro de treinamento do Exército e um porto de águas profundas. O anúncio foi feito em Resolute Bay, no norte do país, a 600 quilômetros ao sul do Pólo Norte. "Isso é para mostrar ao mundo que o Canadá tem uma pretensão séria e permanente sobre o Ártico", disse Harper.A luta pela soberania no Ártico, que aumentou nos últimos anos, é parcialmente justificada pelo aquecimento global, que derreteu parte do gelo polar e facilitou o caminho e a exploração dos recursos naturais da região, abrindo novas rotas para cargueiros e navios quebra-gelos.

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