Dinamarca fecha 3 embaixadas em meio à crise das charges

A crise diplomática criada após a publicação das charges de Maomé no jornal "Jyllands-Posten" ganhou força neste sábado com a decisão do governo da Dinamarca de fechar temporariamente suas embaixadas na Síria, na Indonésia e no Irã.A Dinamarca considera que as autoridades sírias reduziram "a um nível inaceitavelmente baixo" a proteção exercida sobre a embaixada e o corpo diplomático em Damasco, onde há uma semana a sede foi incendiada por milhares de manifestantes enfurecidos.Nos casos das representações diplomáticas em Teerã e Jacarta, que também sofreram ataques, o fechamento serve de resposta a informações "críveis" recebidas em relação a novas ameaças. No entanto, as autoridades dinamarquesas não entraram em detalhes sobre o tema.A decisão chega em um momento no qual os incidentes em territórios islâmicos contra interesses dinamarqueses pareciam ter sido esquecidos. O Ministério de Assuntos Exteriores da Dinamarca desaconselhou também viagens a Irã, Síria e Indonésia, e pediu a seus cidadãos que deixem esses países.ProtestosNo caso da Indonésia, as autoridades receberam "informações concretas" que indicam que um grupo extremista pretende deixar claro seu protesto contra as caricaturas aos turistas dinamarqueses no leste de Java e, possivelmente, em outras regiões do país.A embaixada finlandesa em Teerã assumirá os trabalhos consulares dinamarqueses no Irã, enquanto a embaixada holandesa em Jacarta fará o mesmo na Indonésia e, a alemã, em Damasco. Assim que for possível a embaixada dinamarquesa em Amã assumirá o trabalho.No Afeganistão, a ONG Dansk Folkehjaelp retirou hoje de Cabul seus dez voluntários, frente ao aumento da insegurança no país e novas ameaças contra dinamarqueses.ModeradosNa Dinamarca, os grupos islâmicos moderados continuam ganhando protagonismo nos últimos dias, especialmente a rede "Muçulmanos Democráticos", impulsionada pelo deputado liberal de origem síria Nasser Khader, que se reunirá com o primeiro-ministro do país europeu, Anders Fogh Rasmussen, na segunda-feira.O objetivo da reunião é fomentar o diálogo com os dinamarqueses de origem muçulmana sobre a integração e a situação criada pela crise das charges, anunciou neste sábado o gabinete do primeiro-ministro.A rede, batizada inicialmente de "Muçulmanos Moderados", conta com cerca de 700 membros após somente uma semana de existência, e já tem apoio de várias personalidades do setor empresarial.

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