Claus Bech/Ritzau Scanpix via AP/ Arquivo
Claus Bech/Ritzau Scanpix via AP/ Arquivo

Dinamarca levanta últimas restrições contra covid-19

Com 80% da população acima de 12 anos totalmente vacinada, país escandinavo liberou uso de máscara em quase todos os ambientes e dispensou apresentação de passaporte sanitário

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2021 | 16h37
Atualizado 10 de setembro de 2021 | 16h52

COPENHAGUE - Nas ruas não há vestígios de máscaras ou exigência de passaportes sanitários, escritórios voltaram a funcionar e shows reúnem dezenas de milhares de espectadores. Com 80% da população vacinada contra a covid-19, a Dinamarca se tornou oficialmente primeiro país da União Europeia a levantar quase todas as restrições domésticas impostas no começo da pandemia.

O retorno à normalidade veio nesta sexta-feira, 10, quando o país escandinavo completou 548 dias com a curva de contágio pelo vírus dentro de um limite considerado seguro. À meia-noite, o governo dinamarquês declarou que a covid-19 não é mais considerada uma "doença socialmente crítica", e derrubou a obrigatoriedade de apresentação de passaporte sanitário em boates, único setor que ainda exigia o documento.

A Dinamarca confia em uma reabertura segura após alcançar a marca de 80% da população acima de 12 anos vacinada com duas doses de vacina (73,57% do total da população, de acordo com o Our World in Data) . Além disso, o país conseguiu manter as taxas de proliferação do vírus em um nível satisfatório, mesmo tendo levantado uma série de restrições nos últimos meses.

Desde 1º de setembro, o país suspendeu quase que completamente a exigência do "passaporte anticovid", que tinha sido estabelecido em março. A data também marcou a reabertura de casas noturnas e o fim da limitação à reunião de pessoas. Antes, em 14 de agosto, o uso obrigatório de máscara no transporte público foi suspenso.

A última limitação vigente no país diz respeito ao uso de máscaras em aeroportos, que segue obrigatório. O governo também mantém a recomendação sobre o uso da proteção facial durante consultas médicas, idas a centros de teste e visitas hospitalares. Também há recomendações sobre distanciamento social.

"Estamos definitivamente na vanguarda, porque não temos mais restrições", comentou à France-Presse Ulrik Ørum-Petersen, promotor do show Live Nation, que acontecerá no sábado, 11. No dia 4 de setembro, sua empresa já havia organizado um festival apropriadamente denominado "retorno à vida", que reuniu 15 mil pessoas em Copenhague. Agora, com a volta da uma vida pré-pandêmica, é possível organizar eventos para 50 mil pessoas sem a necessidade de apresentação de certificado de vacinação.

"Estar no meio disso, cantar como antes, quase me fez esquecer a covid-19 e tudo o que vivi nos últimos meses", disse na ocasião Emilie Bendix, uma jovem de 26 anos que compareceu ao show.

A Dinamarca conta com a confiança estabelecida no país entre as autoridades sanitárias e a população, recentemente destacada pela direção europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Como muitos países, a Dinamarca, durante a pandemia, implantou medidas de saúde pública ou sociais para reduzir a transmissão", disse Catherine Smallwood, encarregada das situações de emergência da OMS na Europa. E completou: "Mas, ao mesmo tempo, teve amplo apoio de indivíduos e comunidades que aceitaram os conselhos do governo".

O ministro da Saúde, Magnus Heunicke, garantiu no final de agosto que o governo "não hesitará em agir rapidamente se a pandemia voltar a ameaçar as funções essenciais da sociedade". Nesse ínterim, as autoridades devem monitorar de perto o número de hospitalizações e sequenciar cuidadosamente as amostras de vírus para monitorar sua evolução.

Além disso, desde quinta-feira, oferecem aos grupos mais vulneráveis uma terceira dose da vacina.

Cautela sobre a vacinação

Apesar do índice de vacinação alto conquistado pela Dinamarca, a imunização da população pode não ser suficiente para garantir o fim dos contágios. O diretor da OMS na Europa se mostrou pessimista nesta sexta sobre a possibilidade de um alto índice de vacinação deter sozinho a pandemia de covid-19, devido às variantes que reduziram a perspectiva de uma imunidade coletiva.

Sem citar a Dinamarca, Hans Kluge pediu em coletiva de imprensa para "adaptar nossas estratégias de vacinação", especialmente no que diz respeito às doses de reforço.

Em maio, Kluge disse que "a pandemia terminará quando alcançarmos uma cobertura mínima de vacinação de 70%" da população mundial. Ao ser questionado se mantinha o que disse, Kluge respondeu que as novas variantes, mais contagiosas - principalmente a delta - mudaram a situação.

Antes, embora esta variante inicialmente detectada na Índia já existisse, "não havia semelhante emergência de variantes mais transmissíveis e mais virais", explicou. "Isso nos leva ao ponto de que o objetivo essencial da vacinação é, principalmente, evitar as formas graves da doença e a mortalidade", destacou.

"Se considerarmos que a covid continuará sofrendo mutações e permanecerá entre nós, como a gripe, então devemos prever como adaptar progressivamente a nossa estratégia de vacinação contra a transmissão endêmica, e adquirir conhecimentos muito valiosos sobre o impacto das doses adicionais", acrescentou./ AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.