Dinamarca prende quatro suspeitos de planejar ataque a jornal

Segundo a polícia, homens pretendiam vingar publicação de charges de Maomé; quinto homem foi detido na Suécia.

BBC Brasil, BBC

29 de dezembro de 2010 | 16h36

Publicação de charges pelo jornal causou protestos ao redor do mundo

A polícia da Dinamarca prendeu nesta quarta-feira quatro homens acusados de planejar um ataque a um jornal que publicou charges do profeta Maomé em 2005. Um quinto suspeito de envolvimento com o plano foi detido na Suécia.

Segundo policiais, os homens pretendiam matar funcionários do jornal Jyllands-Posten, na capital Copenhague.

O ministro dinamarquês da Justiça, Lars Barfoed, afirmou que se tratava da mais séria ameaça terrorista ao país.

Segundo a polícia, quatro suspeitos, dos quais três são suecos, foram detidos em Greve e Herlev (arredores de Copenhague), e um quinto foi preso na Suécia.

A agência dinamarquesa de segurança diz que foram encontrados uma arma, um silenciador e munição com os homens.

O chefe da agência, Jakob Shcarf, afirmou que eles planejavam entrar no edifício do jornal e "matar o máximo de pessoas presentes possível".

Ele disse que o ataque era iminente e qualificou os suspeitos de "militantes islâmicos".

A publicação das charges, uma das quais exibia Maomé com um turbante no formato de uma bomba, causou grandes protestos ao redor do mundo.

Os muçulmanos consideram uma blasfêmia qualquer representação visual do profeta.

Polêmica

Logo após a publicação, em 2005, a Arábia Saudita convocou seu embaixador em Copenhague, empresas dinamarquesas foram forçadas a reduzir as operações em algumas partes do mundo e um homem armado invadiu um escritório da União Europeia em Gaza para exigir desculpas.

Mas muitos no Ocidente defenderam o direito da imprensa de publicar as caricaturas, e muitos jornais europeus republicaram alguns dos desenhos.

Kurt Westergaard, o chargista responsável pela imagem polêmica, ganhou prêmios de grupos que defendem a liberdade de expressão, mas foi ameaçado de morte por grupos extremistas e hoje vive sob proteção policial.

Em janeiro, um homem somali tentou entrar na casa dele com uma faca e um machado, e várias pessoas foram presas na Escandinávia em protestos desencadeados pela charge.

Em julho, a polícia norueguesa prendeu três homens suspeitos de planejar ataques para vingar a publicação da caricatura e, em setembro, um belga nascido na Chechênia foi preso em Copenhague após uma explosão que, segundo a polícia, tinha relação com as charges.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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