Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix/via REUTERS
Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix/via REUTERS

Dinamarquesas cobrem o rosto para defender direito de muçulmanas de usarem véu

Sob nova lei que entrou em vigor hoje, polícia poderá instruir mulheres a removerem seus véus ou ordenar que elas deixem as áreas públicas, além de poder aplicar multas

O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2018 | 15h49

COPENHAGUE - Centenas de dinamarquesas protestaram nesta quarta-feira, 1º, em Copenhague contra o veto ao uso de burca e niqab - o primeiro cobre o corpo inteiro e o segundo, o rosto - em público que entrou em vigor hoje no país. Elas acusaram o governo de infringir o direito das mulheres de usar o que quiserem.   

O Parlamento da Dinamarca promulgou o veto em maio, se juntando à França e outros países da União Europeia que estabeleceram medidas semelhantes, com políticos argumentando que são iniciativas seculares e de acordo com os valores democráticos. 

As manifestantes, muitas usando niqab ou burca em solidariedade às muçulmanas, iniciaram a marcha no distrito central da capital dinamarquesa Norrebro e seguiram até à estação de polícia em Bellahoj no subúrbio da cidade. 

+Aliás: A burca não é só a burca

Entre as mulheres, muitas com crianças de colo,  havia ainda muçulmanas sem nenhum véu e dinamarquesas não muçulmanas com o rosto coberto. Nenhum incidente foi reportado, apesar de também haver manifestações favoráveis à medida. 

Saiba mais sobre as vestimentas muçulmanas: 

"Precisamos enviar um sinal ao governo de que não vamos nos curvar à discriminação e a uma lei que mira especificamente uma minoria religiosa", afirmou a estudante Sabina, de 21 anos, vestida com um niqab, à agência Reuters, sem informar seu sobrenome.

Ela é uma das cerca de 200 mulheres muçulmanas - 0,1% desse grupo no país - que usam o niqab ou a burca diariamente. Muçulmanos representam cerca de 5% dos 5,7 milhões  de habitantes. 

Sob a nova lei, a polícia poderá instruir mulheres a removerem seus véus ou ordenar que elas deixem as áreas públicas. O ministro da Justiça, Soren Pape Poulsen, disse que os policiais poderão multá-las e mandá-las para casa. 

As multas variam de 1.000 coroas dinamarquesas (US$ 160) no caso da primeira ofensa a 10.000 coroas dinamarquesas para reincidências.

Críticos argumentam que trata-se de uma norma meramente simbólica, pois poucas pessoas usam essas peças no país escandinavo. / REUTERS e EFE 

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