Dinheiro não compra felicidade nem voto

Magnata Sheldon Adelson doa US$ 53 milhões para 8 republicanos - todos foram derrotados

O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h01

A vitória de Barack Obama foi um golpe para Mitt Romney, mas nenhum republicano sentiu mais o sabor do fracasso do que o bilionário Sheldon Adelson. Nestas eleições, ele se tornou o maior doador individual da história americana. Segundo a rede NBC, Adelson torrou US$ 53 milhões para ajudar oito candidatos republicanos - ninguém foi eleito.

Segundo a revista Forbes, Adelson tem uma fortuna estimada em US$ 25 bilhões e é o 14.º homem mais rico do mundo. Aos 78 anos, ele é dono de um império de cassinos, hotéis e centros de convenção. Sua peça central é o cassino Venetian, em Las Vegas, um monumento com canais, gondoleiros cantores e hectares de máquinas caça-níqueis.

Nem a experiência no ramo dos cassinos ajudou o magnata na hora de abrir o cofre. A primeira aposta foi em Newt Gingrich, que recebeu US$ 16,5 milhões e perdeu as primárias republicanas para Romney. Depois, o bilionário turbinou os Super PACs que apoiavam Romney, que acabou derrotado por Obama.

Além da corrida presidencial, Adelson perdeu muito dinheiro apostando em candidatos ao Congresso. Ele doou US$ 2 milhões para o republicano Connie Mack, derrotado pelo democrata Bill Nelson na disputa por uma vaga de senador na Flórida.

Outros fracassos incluem George Allen, que perdeu a vaga de senador em Virgínia para o democrata Tim Kaine; Joe Kyrillos, que recebeu US$ 1 milhão e não conseguiu obter uma vaga no Senado em New Jersey; o rabino Shmuley Boteach, que não se elegeu deputado no mesmo Estado, e Allen West, ícone do Tea Party, que foi derrotado na Flórida e não será mais deputado. Adelson também investiu muito dinheiro em David Dewhurst, que perdeu as primárias republicanas para Ted Cruz e não conseguiu concorrer ao posto de senador pelo Texas.

A derrota nas urnas também foi dolorosa para Karl Rove, eminência parda do governo do ex-presidente George W. Bush e guru dos republicanos. Ele fundou e comandou a American Crossroads, um Super Pac formado para apoiar candidatos do partido.

Rove organizou pessoalmente um esquema de doações de campanha com um grupo de bilionários republicanos. Ao todo, ele capitalizou cerca de US$ 400 bilhões que foram distribuídos em diversas campanhas, em diferentes pontos do país, segundo estratégias planejadas por ele.

A responsabilidade por ter queimado o dinheiro de tanta gente importante explica, em parte, o desespero de Rove quando a Fox News anunciou a vitória de Obama em Ohio. Ao vivo, ele bateu boca com os âncoras Bret Baier e Megyn Kelly, discutiu com os analistas da emissora e demorou para ser convencido de que Romney não seria eleito.

Ontem, Rove passou a ser alvo de republicanos enraivecidos. "Parabéns a Karl Rove por ter torrado US$ 400 milhões na eleição", tuitou o magnata Donald Trump. O senador Charles Schumer também não perdoou. "Se ele fosse um CEO, estaria demitido."

Segundo o semanário Politico, Rove estaria agora telefonando freneticamente aos doadores para justificar as derrotas e se reuniria hoje com um grupo de bilionários para se explicar.

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