Jason Reed/Reuters
Jason Reed/Reuters

Diplomacia ainda é primeira opção para lidar com o Irã, diz Obama

Presidente dos EUA diz que seu país e Israel pagarão preço alto se tomarem atitudes prematuras

estadão.com.br

06 de março de 2012 | 15h28

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que ainda há tempo para resolver a crise sobre o programa nuclear do Irã por vias diplomáticas, sugerindo que Washington não estuda ações militares contra o país persa. As declarações do democrata foram feitas nesta terça-feira, 6, durante conferência na Casa Branca.

 

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O posicionamento de Washington sobre a questão atômica vem à tona em meio a especulações de que Israel, aliado dos Estados Unidos e inimigo declarado do Irã, poderia atacar as instalações nucleares da república islâmica.

 

Obama, porém, mostrou que o governo americano adotou uma posição mais cautelosa e dá preferência à diplomacia, como já havia dito ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na segunda-feira. O presidente americano disse que a decisão sobre uma política definitiva a respeito do Irã não será tomada em algumas semanas ou meses e que caso deve ser tratado de forma sóbria, cuidadosa e racional. "Haverá consequências para os Estados Unidos e para Israel se agirmos de forma prematura. Pagaremos um preço", ponderou.

 

Uma possível ação militar contra o Irã nunca foi descartada pelo governo americano, mas as autoridades tem repetido que tomarão as medidas necessárias para evitar que o Irã consiga armas nucleares. Embora ataques não tenham sido descartados, Obama afirmou que "ainda há uma margem" para resolver a questão de forma diplomática.

 

Sanções

 

Obama afirmou ainda que o Irã "sente profundamente" as sanções internacionais impostas contra o regime devido ao programa nuclear. Segundo ele, "Teerã sente os efeitos de maneira substancial". "O mundo está unido, e o Irã está politicamente isolado. O que eu disse é que não vamos aceitar que o Irã tenha uma arma nuclear", completou.

 

As potências ocidentais acusam o Irã de manter seu programa nuclear sob sogredo para produzir armas atômicas. Teerã, porém, nega as alegações e diz que enriquece urânio para fins civis. Somente a Organização das Nações Unidas (ONU) já aprovou quatro rodadas de sanções contra o país persa.

 

Síria

 

Sobre a Síria, onde a população sofre com violações de direitos humanos e ataques sistemáticos das tropas do presidente Bashar Assad, Obama também descartou uma ação militar unilateral, o que consideraria "um erro". Segundo ele, a situação no país árabe é bem mais complicada que a da Líbia - onde os Estados Unidos participaram de uma incursão aérea - e por isso deve-se pensar "no que é efetivo e conveniente com a segurança nacional".

 

Recentemente, deputados republicanos advogaram por leis que autorizam ataques aéreos contra Assad, da mesma forma como ocorreu contra o ditador Muamar Kadafi, na Líbia. De acordo com a ONU, mais de 7,5 mil civis já morreram no país árabe.

 

Primárias republicanas

 

A coletiva de Obama foi realizada no mesmo dia em que o Partido Republicano promove a Superterça, dia em que dez estados fazem primárias para escolheres seus pré-candidatos à presidência. O nome republicano enfrenta o atual presidente, democrata que busca reeleição.no dia 6 de novembro.

 

Por isso, Obama não deixou de alfinetar os rivais. Ele disse que seu partido tem melhores planos para as mulheres que os republicanos, em políticas que vão desde a moradia até a educação. Questionado também sobre o que diria a Mitt Romney, o provável nome a enfrentá-lo em novembro, sobre a Superterça, o democrata apenas respondeu: "Boa sorte hoje à noite".

 

Com informações das agências Efe, Reuters e AP

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