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Giampiero Sposito/Reuters
Giampiero Sposito/Reuters

Diplomacia ativa é marca de Francisco

Para biógrafo, pontífice se destaca pelo interesse em assuntos globais e nível de envolvimento em questões políticas

Luiz Raatz, O Estado de S. Paulo

05 de julho de 2015 | 03h00

Seis meses depois de intermediar a reaproximação entre Estados Unidos e Cuba, o papa Francisco chega à sua primeira viagem à América Latina com pedidos para atuar como negociador de crises políticas no Equador e na Venezuela, além da demanda da Bolívia pela saída ao mar. Com ele, acreditam analistas, a diplomacia papal subiu de nível e tornou-se mais pragmática e eficaz graças ao interesse do próprio pontífice sobre o tema. 

“Os jesuítas têm um histórico de contemplação na ação: pessoas que se engajam no mundo. Muito da vida dele foi pensar como o mundo pode ser um lugar melhor”, disse ao Estado o vaticanista Paul Vallely, autor de Papa Francisco – Desatando os nós. “Além disso, ele sempre se interessou por política internacional. Alguns papas se interessaram mais por diplomacia que outros, mas nenhum foi tão a fundo no assunto quanto Francisco.”

Além do papel crucial na aproximação entre o presidente americano, Barack Obama, e o cubano Raúl Castro, Francisco se envolveu em questões geopolíticas distantes da América Latina, como o confronto entre israelenses e palestinos e o genocídio armênio. 

Em maio, o papa recebeu o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, e o chamou de “anjo da paz”. No mês passado, o Vaticano assinou um tratado com a AP no qual apoiou a criação de um Estado palestino, o que foi criticado por Israel. Em abril, Francisco irritara a Turquia ao reconhecer o massacre de 1,5 milhão de armênios na 1ª Guerra como um genocídio. 

No mesmo mês, o Vaticano beatificou o padre salvadorenho Óscar Romero, ícone da luta contra a ditadura do país durante a guerra civil, próximo à teologia da libertação. 

“O fato de ele envolver membros do Vaticano diretamente nas negociações entre Estados Unidos e Cuba, por exemplo, foi algo novo. Ele é muito focado em detalhes e em indivíduos”, afirmou Vallely. “João Paulo II, se você analisar como defendeu o Solidariedade na Polônia, foi um apoio moral. Francisco entra nos detalhes em níveis muito diferentes. Ele desce a camadas mais profundas que outros papas fizeram anteriormente”

Outro ponto importante da visão política e diplomática do papa é sua preferência para privilegiar as periferias e os mais pobres. A própria escolha por três dos países mais pobres da América do Sul para a visita – Equador, Bolívia e Paraguai – revela uma atenção especial aos necessitados. 

“Tudo o que Francisco tem feito desde o início de seu pontificado tem sido sob o lema de ‘Uma igreja pobre para os pobre’”, acrescentou o vaticanista. “Todas as visitas dele tiveram como foco lugares menores e pobres. Os cardeais que ele nomeou eram de cidades menores e não de grandes centros.”

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