Diplomacia da bomba

1. O que exatamente está em negociação? O futuro do programa nuclear iraniano - ou, mais especificamente, a capacidade do Irã de enriquecer e armazenar urânio. Teerã afirma que busca o domínio completo da tecnologia para produzir energia e isótopos médicos. No entanto, potências acusam Teerã de buscar uma bomba atômica e exigem garantias - com inspeções in loco - de que programa não tem fins militares.

15 de outubro de 2013 | 02h52

2. Quem está negociando? O Irã sempre negociou com o chamado "P5+1", formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) mais a Alemanha. Países como Brasil e Turquia, embora tenham feito propostas para o diálogo, nunca se sentaram à mesa de negociações, restrita às grandes potências.

 3. O que mudou agora? Com a eleição em julho do presidente Hassan Rohani, figura ligada aos reformistas, que já ocupou o cargo de negociador-chefe do programa nuclear iraniano, Teerã e Washington trocaram sinais de aproximação e ambos os lados indicaram que desejam um acordo o mais rapidamente possível. O marco dessa aproximação inicial foi o telefonema do presidente Barack Obama a Rohani, no mês passado. Após mais de dois anos de duras sanções, a economia iraniana está seriamente debilitada. A exportação de petróleo - a base da economia do país - retrocedeu para o mesmo nível de 1987. Em razão das sanções, o Irã também perdeu seu código swift, o que o impede de realizar transações bancárias internacionais.

4. Existe um prazo para a atual negociação? Oficialmente, não. No entanto, Rohani e seu chanceler, Mohamad Javad Zarif, disseram que é possível ter um acordo dentro de "três a seis meses". O governo Obama afirma buscar um acordo definitivo sobre o tema "o mais rapidamente possível".

5. Há provas de que o Irã busca uma arma nuclear? Existem diferentes respostas a essa pergunta. Iranianos, chineses, russos e mesmo alguns analistas de EUA e Europa dizem que inspetores e potências ocidentais nunca apresentaram uma prova concreta - uma "arma fumegante", no jargão diplomático - de que Teerã busca uma bomba. Mas americanos, europeus e a maioria dos analistas ocidentais apontam para o programa militar clandestino que Teerã desenvolve nas últimas décadas, suspenso em 2005, segundo estimativas da inteligência americana, além do desenvolvimento simultâneo de mísseis balísticos e da falta de cooperação com inspetores, que não têm acesso a certas instalações. Os últimos relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) dizem haver "indícios" de que o Irã quer a bomba. 6. Desde quando o Irã tem um programa nuclear? Desde os tempos da dinastia Pahlevi, portanto, antes da Revolução Islâmica. À época, Teerã era aliada do Ocidente.

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