'Diplomacia do berimbau' chega a palestinos

Em uníssono, dezenas de crianças palestinas nos campos de refugiados de Shuafat, em Jerusalém Oriental, e Jalazoun, na Cisjordânia, próximo a Ramallah, cantam ao som de berimbau. A roda acontece no meio de casas modestas de tijolos brancos. Provenientes de famílias numerosas, as crianças refugiadas lutam entre si para chamar a atenção dos adultos com gritos de "ana, ana, ana" ("eu, eu, eu" em árabe).

VIVIANE VAZ, Agência Estado

11 de dezembro de 2011 | 09h23

"A capoeira ensina para eles que o tempo é para todos. Todo mundo tem a possibilidade de fazer alguma coisa: de cantar, de tocar um instrumento, de ir para o meio da roda", diz Daniel Vallejo, de 29 anos, mais conhecido como mestre Arami.

O mexicano de "coração brasileiro" incentiva as crianças a cantarem no volume máximo. Elas entram na roda com vergonha, cantando baixinho, com medo de levantar muito a voz. "Pouco a pouco eles descobrem que uma pessoa sozinha pode fazer muitas coisas, mas quando estamos em grupo, podemos construir uma escada para tocar o céu e as estrelas."

Além dele, mais dois mestres brasileiros foram contratados para o projeto, financiado pelo governo brasileiro, da Agência de Refugiados das Nações Unidas (UNRWA). A iniciativa partiu da ONG Bidna Capoeira, que implementou o ensino da capoeira com sucesso nos campos de refugiados na Síria e o levou para os territórios palestinos com um projeto-piloto em março deste ano. "A capoeira dá um sentido de família para essas crianças", diz o fundador da Bidna, o sírio-alemão Tarek Alsaleh.

Na terça-feira, o escritório de representação diplomática do Brasil em Ramallah formalizou a colaboração com o projeto com US$ 83 mil. O valor serve para comprar instrumentos e pagar os professores por pelo menos seis meses. Mais de 600 crianças de 8 campos serão atendidas pelo programa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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