Diplomacia é a única saída para lidar com o Irã, diz El Baradei

A única forma de resolver o conflito nuclear com o Irã é pela diplomacia, disse nesta quinta-feira o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Mohamed El Baradei, ao Fórum Econômico Mundial de Davos. "Estou convencido de que a única forma de avançar no Irã é com engajamento", disse El Baradei em debate sobre proliferação nuclear. "Temos de investir na paz", propôs, acrescentando que se a comunidade internacional falhar em fazer isso "a conseqüência será dez vezes pior". "Espero que paremos de falar em opção militar e nos concentremos em encontrar uma solução", defendeu. Ele afirmou que não descartaria totalmente o uso da força, mas salientou que antes seria preciso esgotar a via diplomática. A ameaça da força, disse, só serviria para incentivar Teerã a buscar armas nucleares. El Baradei afirmou que atualmente não há provas de que a República Islâmica tenha armas nucleares. Sanções ao Irã Em dezembro, a ONU impôs sanções ao comércio de materiais nucleares e de tecnologia ao Irã devido à sua retomada do programa de enriquecimento de urânio, após dois anos de suspensão. Nesta semana, o Irã impediu 138 inspetores da AIEA de trabalharem no país. Na terça-feira, porém, o país disse que ainda coopera com a agência. Devido à escalada da tensão entre Washington e Teerã, alguns líderes políticos e analistas militares reunidos em Davos temem que o governo Bush esteja preparando uma ação militar contra o país. El Baradei qualificou de "absolutamente contraproducente e catastrófico" o cenário de um ataque nuclear ao Irã. No mesmo debate, o primeiro-ministro do Paquistão, Shaukat Aziz, alertou que uma ação militar contra o Irã "teria resultados catastróficos, não só para a região, mas para todo o mundo".

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