Diplomacia européia se une para pôr fim a conflito no Congo

Rebeldes ugandenses do LRA invadiram uma cidade na região norte do país matando nove pessoas

Efe e Reuters,

01 de novembro de 2008 | 17h44

Os ministros de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, e britânico, David Miliband, se reuniram neste sábado, 1, com o presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, para tentar pôr fim à crise humanitária do leste do país.   Veja também: Deslocados voltam após suspensão de ataques Histórico dos conflitos armados no Congo   "O assunto central da reunião foi a urgente necessidade de pôr em prática os acordos aos que já se chegaram", disse Miliband, que não se mostrou partidário de redefinir o acordo de paz assinado em janeiro entre Kabila e os rebeldes.   Os representantes europeus, que disseram querer "restabelecer o contato entre o Governo de Kinshasa e os rebeldes como passo prévio para as conversas de paz" destacaram a "vital importância da política" no conflito para "evitar que haja mais vítimas".   Miliband e Kouchner se dirigirão agora a Kigali, em Ruanda, onde se reunirão com o presidente local, Paul Kagame, acusado por Kinshasa de apoiar a rebelião armada do general tutsi Laurent Nkunda.   Os dois ministros concretizarão com os presidentes da RDC e de Ruanda a proposta de uma convocação de uma cúpula em Nairóbi, no Quênia, na qual os presidentes, segundo informou a Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia), já confirmaram presença.   As ONGs e os diferentes Governos continuam enviando ajuda à região de Kivu Norte. O Reino Unido anunciou uma doação de US$ 8 milhões e se espera a chegada de 10 toneladas de remédios e equipamentos médicos fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Governo da Itália.   Kouchner declarou durante sua visita que a UE está preparada para enviar ajuda humanitária à RDC, mas que ainda está estudando se enviarão ou não efetivos militares.   No entanto, o ministro britânico para a África, Malloch Brown, disse à BBC que a UE estava preparando um contingente, que seria enviado à RDC caso os capacetes azuis da ONU na região não forem suficientes para controlar o conflito.   Embora a situação em Goma retorne progressivamente à normalidade graças ao cessar-fogo declarado há três dias pelos rebeldes, a maioria dos trabalhadores das ONGs, que foram evacuados da região há poucos dias, ainda passam as noite em território ruandês.   "O ambiente em Goma está muito mais calmo pelo cessar-fogo e isso está permitindo que o povo volte a seus lares, mas retornamos a Ruanda todas as noites por precaução", disse à Agência Efe Samuel Nagbe, coordenador da ação humanitária da Oxfam Internacional na região.   O conflito criou um grande número de deslocados. A Oxfam, que conta com quatro acampamentos em Kivu Norte para atender aos deslocados internos pelo conflito, viu em apenas dois meses o número de congoleses que pricisão de ajuda aumentar de 45 para 65 mil.   Ontem, o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Ron Redmond, afirmou que se calcula que o número de deslocados na região do conflito seja de cerca de 1,2 milhão de pessoas, em comparação aos 847 mil pelos cálculos de abril.   O começo do atual conflito no país africano remete a 1998, quando os rebeldes tutsis de origem ruandesa, liderados pelo ex-general Nkunda, se rebelaram contra do Governo de Kabila.   Cerca de cinco anos depois, as duas partes assinaram um acordo de paz, mas Nkunda voltou a se rebelar em 2004 contra as autoridades de Kinshasa após acusar o Exército congolês de utilizar as milícias hutus ruandesas Interahamwe para atacar as aldeias de sua comunidade na região.   Conflito   Rebeldes ugandenses do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês) invadiram uma cidade na região norte do Congo neste sábado, 1, matando nove pessoas e forçando cerca de 50 mil a fugir, disseram as Nações Unidas e outras agências de apoio.   Entre 30 e 50 membros do LRA atacaram a cidade de Dungu, próxima à fronteira da República Democrática do Congo com o Sudão.   O conflito continuou entre a milícia da Uganda e os militares do Congo durante a tarde, disse um porta-voz da missão de paz da ONU.   Histórico     O início do atual conflito no Congo se remonta a 1998, quando os rebeldes banyamulenges - tutsis de origem ruandesa - levantaram-se contra o governo de Laurent Kabila, quem tinha chegado ao poder em meados de 1997, apoiado pelos próprios tutsis. Desde então, o conflito entre os rebeldes do CNPD e os soldados congoleses não cessou, embora a situação tivesse se acalmado depois que Nkunda e o atual presidente, Joseph Kabila, assinassem um acordo de paz, em 23 de janeiro.   Em 10 de outubro, porém, Kabila exortou publicamente os congoleses a se mobilizarem "para apoiar as tropas e o governo e preservar a unidade e a paz de nosso país", enquanto Nkunda chamou os cidadãos a se levantarem "contra um governo que traiu seu povo."   Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram na RDC por causa do conflito, no qual os governos de Kinshasa, Campala e Kigali se acusam mutuamente de apoiar os grupos rebeldes que atuam em seus países. Em um relatório divulgado no início deste ano em Kinshasa, pouco após a assinatura do último tratado de paz, a organização humanitária International Rescue Committee assinalou que os conflitos e as crises humanitárias continuam causando uma média de 45 mil no país a cada mês.   "Em termos de número de mortos, o conflito congolês e suas conseqüências ultrapassam qualquer outro desde a Segunda Guerra Mundial", indicava o documento.   (Com Agências Internacionais) 

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