É mais perigoso subestimar o risco de guerra do que superestimá-lo, diz analista 

É mais perigoso subestimar o risco de guerra do que superestimá-lo, diz analista 

Para analista e fundador do think tank National Iranian American Council, pressão do governo americano sobre iranianos deve continuar

Entrevista com

Trita Parsi, fundador do National Iranian American Council

Rodrigo Turrer, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 05h00

O governo Trump está cercado de conselheiros com históricos de guerras e desejo de acabar com o regime iraniano, segundo o especialista Trita Parsi, fundador do National Iranian American Council. Em entrevista ao Estado, Parsi, autor de dois livros sobre os acordos entre Irã e potências ocidentais (Treacherous Alliance, A Single Roll of the Dice e Losing an Enemy) afirma que o mecanismo de pressão do governo americano sobre os iranianos deve continuar. 

1. Existe chance de guerra entre Irã e Arábia Saudita?

Numa situação como a atual, em que a tensão é crescente, qualquer deslize pode levar à um conflito, e esse conflito rapidamente acabaria num confronto militar mais sério. Eu acho que é mais perigoso subestimar o risco de guerra do que superestimá-lo. Não tenho a impressão de que Trump realmente queira uma guerra, mas ele se cercou de conselheiros que claramente têm um histórico de iniciar guerras e têm um desejo de acabar com o regime iraniano.

2. A saída de John Bolton diminuiu esse risco?

Não acredito. Pompeo também tem uma visão militarista e defende desde que chegou ao cargo uma política de pressão total sobre o Irã. E há mais conselheiros de Trump com essa visão em uma posição perfeita para manipular os impulsos de Trump. Agora, é claro, haverá resistência nas Forças Armadas dos EUA e nos serviços de inteligência. Não será fácil, mas é uma situação muito preocupante, porque há muitos que argumentam por um confronto militar com o Irã por mais de duas décadas. 

3. Como diminuir a tensão?

Diplomacia, mas este não é um mecanismo que o governo Trump parece disposto a usar. Imagine se Trump nunca tivesse deixado o acordo com o Irã. Nunca tivesse restabelecido sanções. Não apoiasse a guerra da Arábia Saudita no Iêmen. A região estaria à beira da guerra? Claro que não. Então, o mecanismo de pressão continuará, seja por meio desses arroubos militares, seja por sanções torturantes, que são absolutamente devastadoras para a economia e para as pessoas comuns, principalmente os cidadãos particulares que não possuem essas conexões governamentais - não têm a mesma capacidade de encontrar soluções alternativas e de contornar essas sanções. 

4. O apoio do Irã a grupos armados como os houthis aumenta a tensão?

Não é apenas o Irã que apoia grupos políticos regionais. A Arábia Saudita tem um histórico tão ou mais longo de apoio a grupos armados, e de patrocínio de organizações terroristas que, no fim das contas, acabaram por atacar os Estados Unidos de maneira direta, caso da Al-Qaeda. Esses apoios fazem parte do jogo geopolítico local, e acontecem há décadas. Mas por causa das pressões dos Estados Unidos, esse conflito por procuração pode acabar se convertendo em uma guerra regional.

 

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