Diplomacia tem apenas "semanas, não meses", insiste Bush

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quinta-feira que dará à diplomacia apenas semanas, e não meses, para trabalhar, seguindo na direção de guerrear com o Iraque. Ele afirmou ainda que seu governo receberá com satisfação uma eventual saída de Saddam Hussein para o exílio."Pelo bem da paz, este assunto deve ser resolvido", disse Bush em meio à intensificação dos esforços de seu governo para aumentar a pressão sobre os relutantes aliados dos Estados Unidos para o "desarmamento" iraquiano.Bush conversou com jornalistas após uma reunião com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, um firme simpatizante da posição linha dura dos EUA com relação ao Iraque.Na semana que vem, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, deverá abrir um debate sobre a autorização para a guerra."A janela diplomática está se fechando", alertou o embaixador dos EUA na Organização das Nações Unidas (ONU), John Negroponte. "Sentimos que o tempo para uma tomada de decisão está se aproximando rapidamente."Num esforço para quebrar o impasse e convencer os céticos na ONU de que o regime de Bagdá deve ser desarmado pela força, Powell irá antes ao Conselho de Segurança (CS), na quarta-feira, para apresentar o que os EUA consideram evidências de que o Iraque está ligado ao "terrorismo" e continua a desenvolver secretamente seus programas de armas de destruição em massa, afirmaram diplomatas norte-americanos.Eles acrescentaram que Powell agiria de acordo com o estabelecido na resolução 1.441 do CS da ONU, que chama o conselho para um novo debate, caso o Iraque se recusasse definitivamente a eliminar suas armas ilegais. A 1.441 é a resolução que estabeleceu o atual regime de inspeções de armas no Iraque.No que foi programado como parte dos esforços da administração Bush para manter a pressão sobre o regime de Saddam Hussein, o general Richard Myers, chefe do Comando do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, quebrou na quarta-feira a recente prática diária de fornecer dados sobre a movimentação de tropas no norte do Iraque. "Não queremos dizer onde exatamente estão nossas forças agora", disse. "Mas não há uma quantidade de tropas significativa no norte do Iraque."Apesar das fortes acusações enderaçadas por Bush a Saddam em seu discurso anual sobre o Estado da União, os EUA encontram forte resistência no Conselho de Segurança para mover-se na direção da guerra. Mas muitos países do conselho anunciaram que a apresentação de Powell seria bem-vinda. Diplomatas comentam discretamente que esperam a apresentação de provas convincentes, capazes de quebrar o impasse.O aumento da expectativa e a nova ênfase sobre as evidências até agora só fizeram com que a pressão sobre Powell se intensificasse. E ainda não há clareza sobre se as evidências que convenceram Washington poderiam persuadir os céticos nas Nações Unidas.Um deles, o ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, disse hoje que "se alegrava" com a decisão de Bush de apresentar ao conselho as evidências que sua administração tem contra o Iraque. A França é um dos países que têm poder de veto no Conselho de Segurança.Mas, enfatizando a visão diametralmente oposta em relação à de Washington, Villepin declarou que as informações de inteligênciaque Powell tem para mostrar poderiam ajudar a criar "melhores condições" para que os inspetores de armas da ONU realizem seutrabalho no Iraque. Diplomatas norte-americanos esclareceram que Powell não pretende facilitar as inspeções, mas mostrar por que eles não puderam trabalhar.A Alemanha, um membro não permanente do conselho, faz eco à posição da França. Mas o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, disse não estar certo sobre se uma guerra com o Iraque poderia ser evitada. Declarou ter dúvidas sobre "se seríamos bem-sucedidos em evitar a guerra e resolver o conflito pacificamente".

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