OAS/Divulgação
OAS/Divulgação

Diplomata brasileiro espera 'colaboração' da Síria em investigações

Paulo Sérgio Pinheiro foi nomeado pela ONU para chefiar grupo que checará abusos no país árabe

Gabriel Toueg, do estadão.com.br

12 Setembro 2011 | 20h13

SÃO PAULO - O diplomata brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, nomeado nesta segunda-feira, 20, para chefiar uma comissão que investigará eventuais abusos aos direitos humanos na Síria, disse em entrevista ao estadão.com.br que seu papel é "fazer o possível para que o governo (sírio) colabore".

 

Veja também:

especialESPECIAL: A revolta que abalou o Oriente Médio

 

A esperança da ONU é que, com um brasileiro liderando o processo, o governo sírio finalmente abra as portas do país para a entidade, que até hoje foi impedida de entrar na Síria. Pinheiro, contudo, não confirmou se a escolha dele teve a ver com o papel do Brasil, que ele chamou de "consequente" na relação com o conflito entre oposição e regime sírios.

 

Para o diplomata, é do interesse do regime de Bashar Assad colaborar com o trabalho da comissão. O grupo, formado ainda pelo turco Yakin Erturk e pela americana Karen Abu Zeid, precisa apresentar um relatório sobre o assunto até o final de novembro - ainda que o governo de Assad não receba os investigadores.

 

De São Paulo, Pinheiro explicou que deverão haver reuniões preparatórias na sede da ONU em Genebra para definir como a comissão atuará e iniciar negociações com o governo Assad sobre uma visita à Síria. Ele disse ainda não ter sido avisado sobre datas, mas confirmou que o processo deve começar "logo" porque o prazo para a entrega do relatório é curto.

 

O envio de uma comissão para investigar denúncias de torturas, agressões e mortes de manifestantes (em sua maioria pacíficos) contrários ao regime de Assad, foi aprovado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 23 de agosto. Damasco, no entanto, tem relutado em receber missões investigativas, de acordo com a BBC.

 

Segundo a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, mais de 2.600 pessoas foram mortas no país nos últimos seis meses em protestos pela renúncia de Assad, cuja família está no poder há 41 anos.

 

Pinheiro havia sido ministro de Direitos Humanos do governo de Fernando Henrique Cardoso, liderou por anos os trabalhos da ONU sobre Mianmar e hoje é um dos que defende uma comissão da Verdade no Brasil. Ele participou ainda de missões da ONU no Timor Leste e Togo.

 

Com informações da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.