Alessandro Bianchi/REUTERS
Alessandro Bianchi/REUTERS

Diplomata norte-coreano na Itália deserta e foge com a mulher, diz agência de espionagem sul-coreana

Paradeiro do diplomata da Coreia do Norte de mais alto cargo na Itália é desconhecido; ele havia sido chamado para voltar ao país de origem

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2019 | 01h45

SEUL - O embaixador da Coreia do Norte na Itália, Jo Song-gil, está escondido com a mulher desde novembro, informou uma agência de espionagem sul-coreana nesta quinta-feira, 3.  A deserção de um norte-coreano de elite pode ser um constrangimento para Kim Jong-un, já que o líder tenta estabelecer relações diplomáticas com Seul e Washington.

O deputado da Coreia do Sul Kim Min-ki afirmou que um funcionário do Serviço de Inteligência Nacional de Seul compartilhou a informação durante uma reunião. Ele não disse se a agência revelou o paradeiro de Jo ou se o diplomata tinha planos de se mudar para a Coreia do Sul. Kim afirmou que a agência não entrou em contato com o embaixador.

Segundo as autoridades, Jo e a mulher deixaram a residência oficial na Itália no começo de novembro, semanas antes de seu mandato diplomático acabar no final do mês. O deputado não pôde confirmar se o embaixador estava acompanhado de crianças ou se ele poderia estar sob proteção do governo italiano.

A Coreia do Norte não fez comentários sobre a localização de Jo.

Um funcionário do ministério das Relações Exteriores da Itália disse, sob anonimato, que o norte-coreano não fez um pedido de asilo. Ele afirmou que Jo não tinha mais status diplomático na Itália, provavelmente em referência ao fim do seu mandato e por ser chamado para voltar para a Coreia do Norte.

Não há muitas informações sobre Jo, no cargo em Roma desde que a Itália expulsou o então embaixador Mun Jon-nam em outubro de 2017 em protesto contra um teste nuclear norte-coreano.

O deputado Kim afirmou que a agência de Seul aguarda mais informações sobre o diplomata.

Deserção

A Coreia do Norte tende a ser extremamente sensível com deserções, especialmente entre aqueles da elite diplomática, e insistiu anteriormente que os sul-coreanos e americanos tramam para minar o governo. O último diplomata de longa carreira que desertou foi Thae Yong Ho, ex-ministro na embaixada de Londres. Ele foi para a Coreia do Sul em 2016.

Sem citar seu nome, a imprensa estatal do país descreve Thae como “escória humana” e afirmou que estava tentando escapar da punição por crimes graves. Thae, um conhecido crítico de Kim Jong-un, negou as acusações e disse que desertou porque não queria que seus filhos vivessem na miséria do Norte.

É possível que Jo esteja tentando desertar pelas mesmas razões, disse Koh, um conselheiro político do presidente sul-coreano, Moon Jae-in. “Pode ser difícil para alguns diplomatas serem chamados de volta para o Norte após desfrutar de tantos anos no Ocidente. Eles querem que seus filhos vivam em um sistema diferente e tenham melhor educação”, afirmou.

O norte-coreano mais conhecido por procurar asilo no Sul é Hwang Jang-yop, um funcionário do partido dos trabalhadores e ex-tutor do pai de Kim Jong-un, o ditador Kim Jong-il. A deserção de Hwang em 1997 foi saudada por sul-coreanos. Ele morreu em 2010.

Em 1997, o embaixador da Coreia do Norte no Egito fugiu e se mudou para os Estados Unidos.

Cerca de 30 mil norte-coreanos fugiram do país desde o fim da Guerra das Coreias em 1950-1953, de acordo com Seul, sob alegação de que queriam abandonar a pobreza do duro regime do Norte. O Norte acusa o Sul de enganar as pessoas para desertar, pagar para fugir ou de fazer sequestro. / AP

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