Diplomata da Líbia na ONU pede que colegas abandonem Kadafi

'Vamos deixá-los saber que representamos o povo', diz embaixador-adjunto no órgão

estadão.com.br

25 de fevereiro de 2011 | 15h37

O embaixador-adjunto da Líbia na Organização nas Nações Unidas (ONU), Ibrahim Dabbashi, pediu que todos os diplomatas do país africano "representem o povo líbio" e abandonem o apoio ao ditador Muamar Kadafi em resposta à brutal retaliação do coronel aos protestos que pedem o fim de seu regime;

 

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"O fim do regime está próximo. Peço a todos nossos diplomatas que não obedeçam nenhuma instrução de Trípoli e deixem os países saberem que representam o povo", disse Dabbashi, que afirmou representar toda a delegação. Há alguns dias, o diplomata havia dito que Kadafi "está cometendo um genocídio na Líbia'.

 

 

Dabbashi ainda pediu que o Conselho de Segurança da ONU tome alguma atitude contra Kadafi e outras lideranças líbias, como a imposição de sanções. Ele afirmou que a repressão às manifestações em várias partes do país deixaram milhares de mortos, e não centenas, como tem sido estipulado.

 

O embaixador-adjunto é apenas um dos vários diplomatas e ministros que abandonaram Kadafi em repúdio à violência nos protestos. Os embaixadores da Líbia na Austrália, em Bangldesh, na China, na França, na Índia, na Jordânia, na Indonésia e em Portugal renunciaram aos seus cargos. Os representantes da Áustria, do Egito e da Malásia também se mostraram contrários à violência, mas não renunciaram. O Peru cortou os laços diplomáticos com o país africano e os EUA suspenderam as atividades da embaixada líbia.

 

Kadafi perde apoio na própria Líbia. O procurador-geral, Abdul-Rahman al-Abbar; o ministro do Interior, Abdel Fattah Younes al-Abidi; Youssef Sawani, assessor do filho de Kadafi; e Nuri al-Mismari, chefe de cerimonial de Kadafi, deixaram seus postos. Militares, como os dois coronéis que se recusaram a bombardear protestos e desertaram em seus caças para Malta, também abandonaram o ditador.

 

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Com AP e Reuters

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