Diplomata desertor diz que Assad usará armas químicas

O presidente da Síria, Bashar Assad, vai usar armas químicas contra forças opositoras e já pode tê-las prontas para uso, disse à BBC Nawaf Fares, ex-embaixador sírio no Iraque.

AE, Agência Estado

17 de julho de 2012 | 13h07

Fares, o mais importante integrante do regime a desertar, afirmou que os dias do presidente estão contados, mas advertiu que ele pode estar preparado para "erradicar toda a população síria" para permanecer no poder.

Quando perguntado pelo jornalista Frank Gardner se isso significaria o uso de armas químicas, Fares disse que "eu estou convencido que se o regime de Bashar Assad for ainda mais encurralado pelo povo, ele usará este tipo de arma". "Há informações, informações não confirmadas, que armas químicas têm sido usadas em Homs", disse o ex-embaixador.

A Síria tem um grande estoque de armas químicas e seus vizinhos estão cada vez mais preocupados sobre o que vai acontecer com elas se o regime cair. Para Fares, a queda de Assad é agora "inevitável".

"É absolutamente certo que este governo vai cair no curto prazo", disse ele à BBC de seu refúgio no Catar. "Nós esperamos que este tempo seja breve para que os sacrifícios sejam reduzidos." Fares, que anunciou sua deserção em 11 de julho, era visto como um linha-dura do regime e sua decisão de deixar as fileiras atraiu suspeitas entre ativistas.

Alguns dissidentes dizem que Fares foi provavelmente preparado pelo Ocidente para participar de um governo de transição, enquanto outros lembram seu passado "criminoso".

Fares, que foi governador de várias províncias sírias e ocupou altos cargos no setor de segurança e no partido Baath, é proveniente da importante tribo sunita Oqaydat, do leste da Síria, que também tem membros no Iraque, na Jordânia e na Arábia Saudita.

Ex-policial, ele tinha ligações próximas com os temidos serviços de inteligência antes de se tornar governador e mais tarde o primeiro embaixador do país no Iraque, após 30 anos de relações rompidas entre os dois vizinhos.

Segundo Fares, o aumento da violência na capital, Damasco, prova que "a expansão e o poder da revolução está aumentando dia a dia". As informações são da Dow Jones.

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