Diplomata diz que ONU tem sido marginalizada

As Nações Unidas têm sido marginalizadas na resposta internacional aos atentados terroristas nos Estados Unidos, e devem repensar seu papel de árbitro nos conflitos internacionais, disse hoje um alto funcionário da organização. "Enquanto os bombardeios no Afeganistão vivem uma escalada com um crescente número de vítimas civis... a ONU e seus diplomatas permanecem paralisados", afirmou Razali Ismail, um diplomata malaio que é o enviado especial do secretário-geral Kofi Annan para Mianmar. Participando de uma discussão sobre estudos de conflitos na Ásia, Razali disse que a região corre maior risco de terrorismo do que o Ocidente e deveria reconsiderar políticas de não interferência nos assuntos internos dos outros em vista dos ataques de 11 de setembro. "O papel das Nações Unidas deve também ser reavaliado", afirmou ele, ontem à noite, no Estado nortista de Penang. "Como demonstra a incapacidade da ONU em chegar a uma definição comum sobre terrorismo, sua capacidade de agir há muito foi podada pela tendência de seus membros de colocar suas agendas nacionais acima da ONU".Razali, que ajudou a negociar a reconciliação entre a junta militar do Mianmar e a líder pró-democracia Aung San Suu Kyi, disse que os ataques de 11 de setembro demonstraram a emergência de um novo tipo de terrorista cujo objetivo é muito mais amplo do que dos grupos tradicionais, baseados em regiões, como o Exército Republicano Irlandês. Os novos terroristas, para ele, querem criar um conflito internacional e religioso e estabeleceram redes globais de comando e controle que ultrapassam fronteiras pelo uso do sistema financeiro internacional, computadores e telefones por satélite. "A conseqüência é que nenhuma nação pode lidar sozinha com a ameaça do terrorismo internacional", considerou.Ele disse que grupos terroristas na Indonésia, Filipinas, Malásia e Tailândia estão provavelmente ligados à rede Al-Qaeda de Osama bin Laden, o principal suspeito dos atentados nos EUA. "A ameaça do terrorismo internacional para a Ásia não é apenas real, mas talvez mesmo maior do que para o Ocidente", afirmou. Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.