Diplomata é um habilidoso negociador

Escolhido para comandar diplomacia brasileira tem boa relação com Dilma e carreira construída em acordos ambientais

Lisandra Paraguassu e Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2013 | 23h07

O novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, de 57 anos, é um antigo conhecido da presidente Dilma Rousseff. Ele foi o negociador brasileiro na Conferência das Partes 15 (COP-15) de Copenhague, em 2009, quando a delegação brasileira foi chefiada pela então ministra da Casa Civil e candidata à presidência.

Diplomata de carreira e considerado um dos mais hábeis negociadores do Itamaraty, Figueiredo assumiu há menos de dois meses a missão brasileira nas Nações Unidas. O novo chanceler conquistou a presidente Dilma durante as negociações da Rio+20, do qual foi o secretário executivo.

Ao final, Dilma não poupou elogios ao embaixador por conseguir um acordo possível em uma negociação com 150 países e um tema que, em meio à crise econômica, não era dos mais caros aos envolvidos.

Figueiredo entrou na carreira diplomática em 1980 e iniciou como assistente na Divisão das Nações Unidas do Itamaraty. Desde o início, ele focou sua carreira em temas ambientais e desenvolvimento sustentável.

Chefiou pelo menos três delegações da COP do Clima, incluindo a mais importante delas, a de Copenhague. Quando o ex-chanceler Antonio Patriota assumiu o cargo, criou uma subsecretaria nova, sob medida para Figueiredo, a de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia.

Comedido, mas ainda assim menos formal que Patriota, Figueiredo é conhecido pelo bom humor, mas também tem fama de chefe exigente entre os diplomatas. É amigo pessoal do chanceler que sai e não deve fazer grandes mudanças na política externa brasileira.

No ano passado, Figueiredo foi escolhido para ocupar o posto de embaixador do Brasil nas Nações Unidas. Antes de assumir a nova função, o diplomata participou da COP do Clima, em dezembro, em Doha, no Catar, quando ajudou a evitar o colapso imediato do Protocolo de Kyoto, que foi prorrogado até 2020.

Seu primeiro evento oficial como chanceler ocorrerá na sexta-feira, durante encontro da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), no Suriname. Na semana que vem, ele tem viagem marcada para a Rússia, onde participa da reunião do G-20.

Figueiredo assume o ministério em um momento delicado. O Brasil enfrenta tensões não apenas com a Bolívia, em razão da vinda do senador Roger Pinto, mas também atritos com a Grã-Bretanha, após a prisão de David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald, em Londres, e com os EUA, em razão do programa americano de espionagem.

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