Diplomata iraniano diz que CIA o torturou no Iraque

Um diplomata iraniano, libertado dois meses depois de ser seqüestrado no Iraque, afirmou ter sido torturado por forças norte-americanas enquanto esteve em cativeiro, noticiou neste sábado a agência de notícias iraniana Fars.O Irã já havia culpado os Estados Unidos anteriormente por seu seqüestro, mas autoridades norte-americanas negaram qualquer participação no ocorrido. Neste sábado, o Exército dos Estados Unidos voltou a negar qualquer papel no rapto do diplomata, ou em sua suposta tortura.Os comentários iranianos acontecem dias após a libertação de 15 marinheiros britânicos capturados pelo Irã, onde alegam terem sido maltratados."Jalal Sharafi, em uma entrevista na Fars, explicou como ele foi seqüestrado e torturado severamente por forças norte-americanas com a ajuda de agentes (iraquianos)... sob a supervisão da CIA", noticiou a agência de notícias Fars."Ele mostrou aos repórteres as marcas deixadas pela tortura em seu corpo, agora tratadas por médicos", disse à Fars, considerada próxima à Guarda Revolucionária do Irã.Atiradores em uniformes do Exército iraquiano seqüestraram Sharafi em fevereiro. Uma autoridade do governo iraquiano disse na ocasião que Sharafi foi capturado por 30 homens vestindo uniformes de uma unidade do Exército iraquiano que freqüentemente trabalha com o Exército dos EUA no Iraque.Quando Sharafi foi libertado na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyar Zebari, afirmou que o diplomata estava em boas condições de saúde e disse que ele não sabia quem o havia mantido em cativeiro.O porta-voz do Exército dos EUA, tenente-coronel Christopher Garver, afirmou em Bagdá: "A força multinacional do Iraque não esteve envolvida em seu seqüestro ou em qualquer tipo de tortura alegada que agora ele diz ter sido submetido".Forças dos EUA no Iraque prenderam diversos iranianos, incluindo cinco homens detidos na cidade de Arbil, no norte do Iraque. Washington afirma que os homens têm ligações com a Guarda Revolucionária e que estavam ajudando militantes iraquianos.O Irã nega a acusação, dizendo que eles eram diplomatas, e exigiu que eles fossem libertados. Teerã também afirmou que ainda está esperando uma resposta aos seus pedidos para ter acesso aos cinco presos. Washington diz que está analisando a questão.O Irã, o Reino Unido e os Estados Unidos insistem que não há ligações entre a libertação dos 15 marinheiros britânicos, depois de 13 dias detidos, e o caso dos iranianos presos no Iraque.Alguns analistas dizem que a Guarda Revolucionária que capturou os 15 britânicos pode ter agido até certo grau para mandar uma mensagem de que o Irã não ficará parado enquanto seus cidadãos são detidos no Iraque.Sharafi disse que foi seqüestrado por agentes com cartões de identificação do Ministério da Defesa iraquiano e que dirigiam carros do Exército norte-americano. Ele disse ter sido levado a uma base próxima ao aeroporto de Bagdá, onde foi interrogado em árabe e inglês, informou a Fars."As perguntas feitas por agentes da CIA eram sobre a presença e influência do Irã no Iraque. Ele fizeram perguntas sobre a quantidade de ajuda que o Irã dá ao governo de (primeiro-ministro Nouri) al-Malik, e a grupos xiitas, sunitas e curdos", disse"Quando eles se depararam com minhas respostas sobre a relação oficial do Irã com o governo iraquiano e autoridades, eles aumentaram as torturas. Durante muitos dias eles me torturaram dia e noite", disse ele. Comentários similares foram feitos pela agência de notícias iraniana IRNA.Matéria ampliada às 15h44

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